Cuidado com as superstições

“Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19,31). “Serás inteiramente do Senhor; teu Deus” (Dt 18,13). “Não praticareis a adivinhação nem a magia” (Lv 19,26b)

Sempre houve está condenável idolatria, que continua moderna, chamada superstição, pela qual se busca uma divinização espúria das energias ocultas. Até mesmo entre os católicos, mal formados, se multiplicam, superstições que beiram ao ridículo. Elas são muitas e variadas.

Entre elas, muitos são os que colocam na entrada de suas lojas e casas vasos com a espada de São Jorge; outros, raminhos de arruda; inúmeros os que andam com “pedras, pêndulos, cristais e outras bugigangas para espantar as energias negativas”.

Há também aqueles que vivem impressionados com os males que possam advir dos “trabalhos” realizados nos terreiros. Querem combater as forças do mal de qualquer maneira e, apesar de frequentarem os Sacramentos da Igreja, empregam esses “rituais” para se “purificarem”.

Estamos já no início do terceiro milênio e, no entanto, prevalecem os feitiços: uma pedra, uma raiz, uma pena de pássaro, uma concha, um dente de animal, ainda há pessoas que pregam ferradura atrás da porta para atrair sorte nas questões econômicas ou vão atrás do trevo de quatro folhas, portador de felicidade.

A enorme lista de superstições que aparece na vida de tantas pessoas, poderiam ser abandonadas se tivessem mais confiança em Deus e na proteção dos anjos e santos; e não se entregariam a práticas tão irrisórias, fundadas num temor doentio. Trazer um amuleto não pode nunca atrair qualquer tipo de ajuda sobrenatural, nem afastar as invectivas do Maligno, o qual, segundo São Pedro, deve ser vencido unicamente pela fé (1 Pd 5,8).

Todas as crendices envolvidas nas superstições carecem de qualquer base filosófica e teológica. É inteiramente destituída de lógica a associação de causa e efeito professada pelos supersticiosos. Sob o ponto de vista da teologia, as práticas supersticiosas demonstram um senso religioso decadente.

No fundo, apesar dos pesares, é a nostalgia do Absoluto que impera. Aquele que perde sua fé na Providência de Deus que governa sabiamente o mundo e se interessa pelos homens de modo especial, tende a se curvar ao império de uma força cega criada pela fantasia humana.

O cristão deve dar sempre a demonstração de uma crença robusta, firmada nas Escrituras, acreditando numa palavra que Jesus repetiu tantas vezes: “Não tenhais medo” (Mc 6,50; Lc 24,36; Jo 6,20). “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5); e queria dizer que com Ele tudo pode quem Nele confia. Fora de Jesus não há salvação (At 4,12), disse São Pedro aos chefes judeus.

O escritor romano Varrão († 7 a.C.) exprimia muito bem, na sua linguagem politeísta, o que significa essa religiosidade inferior, quando afirmava que “o supersticioso é o homem que teme os deuses como inimigos, ao passo que o homem religioso os reverencia como pais” (citado por S. Agostinho, De civ. Dei 6.9.2). Quintiliano († 120 d.C.), por sua vez, notava que a “superstição difere da religião como o homem que procura por curiosidade difere do homem que procura por amor” (De inst. orat. VIII 3). Em suma, vê-se que já entre os romanos pagãos a superstição era tida como uma deterioração ou contrafação da Religião.

O Catecismo da Igreja diz que: “A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesma legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição” (n.2111). Aqui se enquadram as tais “correntes de oração obrigatórias” sob pena de castigos.

A adivinhação, leitura de cartas ou qualquer outro rito supersticioso do tipo, apontam para a predição de coisas futuras ou ocultas sem recorrer a Deus. Pretende-se descobrir aquilo que só Deus pode conhecer. O grande pecado da superstição está que a pessoa quer buscar fora de Deus, poder e conhecimento, que Deus não quer nos dar porque não é bom para nós. O supersticioso, por práticas mágicas quer impor a Deus fazer a sua vontade por meios mágicos.

Deus nos revelou algumas coisas sobre o futuro, que nos interessam, por exemplo, haverá um juízo particular e um final; e depois o céu ou inferno. E nos deu inteligência, liberdade, vontade, consciência e outros recursos para que nos preparemos responsavelmente para o futuro. Não podemos controlar nosso futuro, pois ele está nas mãos do Senhor. Precisamos confiar Nele como um Pai infinitamente bom e cooperar com a sua graça para fazer a parte que nos corresponde.

No entanto, o homem, levado pela soberba, quer ter tudo sob controle, sem colocar sua confiança em Deus. É esse o pecado da superstição, buscando conhecimento ilícito, por caminhos que estão fora da revelação divina, como a adivinhação. É preciso saber que esses recursos ocultistas, sem que se saiba, recorrem ao demônio; e quem a pratica fica, de alguma maneira, vinculado a ele. São Paulo disse que: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele?” (1Cor 10,20-22).

À medida que se perde a fé, aumentam as superstições, mesmo entre pessoas que não pertencem a estes grupos, mas que buscam solução para seus problemas. Alguns pensam que seja mera brincadeira e o fazem por curiosidade ou pela pressão de um grupo. Mas precisamos recordar que ai está em jogo a nossa fidelidade a Deus, com quem não se brinca.

Quando o homem não encontra o Deus verdadeiro, e não se entrega a Ele, então, fabrica o seu deus, à sua pequena imagem e semelhança; semelhante à pedra, ao cristal, à magia, etc.

Sobretudo na festa de Ano Novo os espíritos esotéricos se exaltam em busca das melhores condições para serem agraciados por seus deuses e pelos poderes ocultos do além. Para uns é a exigência de começar o Ano com o pé direito; para outro é estar de roupa branca, mesmo as mais íntimas, ainda que alma não esteja tão clara; para outro é pular as ondinhas do mar… e a pobre miséria humana multiplica as fantasias e suas falsidades.

O homem tem sede de Deus! Ou ele adora e serve ao Deus verdadeiro, “Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”, ou passa a adorar e a servir a deuses falsos, mesmo que conscientemente não se dê conta disso. Outros ainda, mais desorientados, correm atrás de horóscopos, de zodíacos, de mapas astrais, de cartomantes, de necromantes, de búzios… Nas grandes e pequenas livrarias, proliferam todos esses tipos de livros, muito bem explorados por alguns escritores e editoras. Lamentavelmente, muitos cristãos (e até católicos!), por ignorância religiosa na sua maioria, acabam também seguindo esses caminhos tortuosos e perigosos para a própria vida espiritual.

Ao cristão é permitido buscar unicamente em Deus, pela oração, todo consolo, auxílio e força de que necessita – e em nenhum outro meio ou lugar. São Paulo disse: “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4,6). E São Paulo advertiu severamente as comunidades cristãs de que fugissem da idolatria (cf. I Cor 10,14).

Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocara ira do Senhor?” (1 Cor 10,20-22). Quando Deus não atende um pedido nosso, Ele sabe a razão; e, se temos fé e confiança Nele, não vamos atrás de coisas proibidas.

O Ano que começa é um grande presente de Deus para cada um de nós; e deve ser colocado inteiramente em Suas mãos, para que Ele cuide de cada dia e de nós. Nada alegra tanto a Deus do que vivermos na fé. Não devemos recorrer a nenhuma destas práticas ou ritos, pois são totalmente contrárias à nossa fé. Recordemos que o inimigo está como “um leão procurando a quem devorar”.

Prof. Felipe Aquino

Fonte: Site Canção Nova

Solenidade da Mãe de Deus: Papa começa 2018 com apelo à defesa da vida

Francisco convida a imitar a Virgem Maria, por uma Igreja “pobre de coisas e rica de amor”

Da redação, com Agência Ecclesia

Na Missa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, nesta segunda-feira, 1º, o Papa Francisco fez um apelo à defesa da vida.

“A humanidade é querida e sagrada para o Senhor. Por isso, servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incômoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada”, disse o Santo Padre na Basílica de São Pedro.

O Pontífice fez uma intervenção centrada na figura da “Mãe de Deus”, a solenidade que marca o início do ano, no calendário litúrgico católico.

“Maria é exatamente como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: Mãe terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no coração e o próximo na vida”, sublinhou.

Imitar a Virgem Maria

Numa alusão ao novo ano civil, Francisco convidou os católicos a imitar a Virgem Maria.

“Para avançar – diz-nos a festa de hoje –, é preciso recuar: recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços”, precisou.

O Papa realçou em particular a necessidade do silêncio, onde Deus se revela a cada pessoa, convidando os fiéis a dedicar um momento à oração silenciosa, no seu dia, diante do presépio.

“Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia”, observou.

Maternidade e segredos de Maria

A homilia chamou a atenção para a dimensão de maternidade que é valorizada na solenidade de hoje.

“Eis o milagre, a novidade: o homem já não está sozinho; nunca mais será órfão, é para sempre filho. O Ano tem início com esta novidade. E nós proclamamo-la dizendo assim: Mãe de Deus! É a alegria de saber que a nossa solidão está vencida”, referiu o Pontífice.

“Dizer «Mãe de Deus» lembra-nos isto: Deus está perto da humanidade como uma criança da mãe que a traz no ventre”, acrescentou.

O Papa apresentou ainda os “segredos” da Virgem Maria como forma de viver melhor o novo ano: “guardar no silêncio e levar a Deus”.

“Também nós – cristãos em caminho –, no começo do ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os pesos do passado e partir do que é importante. Temos hoje diante de nós o ponto de partida: a Mãe de Deus”, declarou.

Devoção à Maria

Francisco considerou que a devoção à Maria é “uma exigência da vida cristã”, que permite deixar de lado “tantas bagatelas inúteis” e reencontrar “aquilo que conta”.

“Para que a fé não se reduza apenas a ideia ou doutrina, precisamos, todos, de um coração de mãe que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpitações do homem”, prosseguiu.

No final da homilia, o Papa convidou a assembleia a repetir, três vezes, com ele: “Santa Mãe de Deus”.

Cumprindo a tradição, um grupo de três crianças liderou a procissão da apresentação dos dons, vestidos de Reis Magos, em representação dos ‘sternsinger’ (cantores da estrela) que na Alemanha, Áustria e Suíça passam pelas casas para anunciar o nascimento do Senhor e recolher ofertas para as crianças necessitadas.

Fonte: Canção Nova

Advento, tempo de preparação para a vinda do Senhor

A nossa alma também está à espera, nesta expectativa pela vinda do Senhor; uma alma aberta que chama: “Vem, Senhor”

Quando falamos do mês de dezembro, vem logo à nossa mente a celebração do natal. Este mês de dezembro inteirinho, a liturgia nos prepara para a grande festa, o nascimento do Menino Jesus. As quatro semanas que antecedem o Natal, geram em nossos corações a feliz expectativa para a vinda do Senhor que irá nascer.

Foto: Gama5 / by Getty Images

Tendo em vista esta função do Advento: preparar para o Senhor Jesus que virá; vale recordar as maneiras que Cristo vem até nós.

São Bernardo define em três. “A primeira, quando Ele veio por Sua Encarnação; a segunda é cotidiana, quando Ele vem a cada um de nós, pela sua graça; e a terceira, quando virá para julgar o mundo” (São Bernardo de Claraval, Obras completas de São Bernardo, Madrid: BAC, 1953, p. 177).

Vejamos então, a partir do pensamento de São Bernardo em consonância com o Magistério da Igreja sobre as “vinda do Senhor”.

Encarnação

A primeira vinda do Senhor é a mais conhecida, por se tratar do Natal. “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”. (prefácio do Advento I). Esta oração rezamos no tempo do Advento como forma de celebrar o mistério da encarnação. Deus totalmente Espírito, assume um corpo humano, uma alma humana. É um Deus que não quis permanecer inacessível; não restringiu-se à sua Glória celestial, mas quis passar pela experiência humana, a ponto de ser em tudo igual a nós, exceto no pecado (Hb 4, 15).

O Concílio de Nicéia acontecido no século IV esclareceu essa realidade. Jesus possui duas natureza, a humana e a divina. Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Podemos nos perguntar, por qual razão ele se fez homem? Poderíamos nomear várias razões pelas quais Deus se fez homem e veio habitar no meio de nós, mas uma merece destaque particular, para nossa salvação.

No Credo Niceno-Constantinopolitano rezamos: “Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos Céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”.

Como vimos, essa é a principal razão: à nossa salvação. Por isso, na Solenidade de Natal somos convidados a mergulhar nossa vida neste mistério. Deus por seu imenso amor se humanizou para nos divinizar.

Cotidiano

A segunda vinda do senhor, conforme São Bernardo, é aquela que acontece no cotidiano da vida, em especial, por meio dos sacramentos.

Nos ensina o Papa Francisco: “O Senhor todos os dias visita a sua Igreja! Visita cada um de nós e, também, a nossa alma. Ela se assemelha à Igreja, a nossa alma se assemelha a Maria. Os Padres do deserto dizem que Maria, a Igreja e a nossa alma são femininas e o que se diz sobre uma, analogamente, se pode dizer da outra. A nossa alma também está à espera, nesta expectativa pela vinda do Senhor; uma alma aberta que chama: ‘Vem, Senhor’ ”.

A segunda vinda dá-se cotidianamente. Podemos dar, aqui, um destaque todo particular para três realidades: a Eucaristia, a escuta atenta da Palavra de Deus e Santa Missa.

Sobre essa segunda vinda podemos falar de um “Natal permanente”.

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Vinda gloriosa

A terceira vinda do Senhor deve ser compreendida no plano escatológico, isto é, na consumação dos tempos onde Jesus virá revestido de poder e glória para julgar os vivos e os mortos. “Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda”. (CATECISMO, n. 524).

Nos recorda o prefácio do Advento que, Jesus “revestindo de Sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos, que hoje, vigilantes esperamos” (Prefácio do Advento I).

Portanto, a vigilância assume um papel importante no advento definitivo do Senhor.

É preciso estar vigilante, porque o senhor pode chegar a qualquer instante.

Em cada Santa Missa, quando respondemos a Oração Eucarística, recordamos esta realidade escatológica: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!”. (Oração Eucarística IV).

Os sinais dos últimos tempos

O Papa Francisco, no dia 15 de Novembro de 2015, no Angelus disse: “Sobre quando acontecerão os sinais dos últimos tempos não devemos nos preocupar, mas sim nos prepararmos diariamente para nos encontrarmos com Jesus. O núcleo central em torno do qual gira o discurso de Jesus é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição, e o seu retorno no fim dos tempos. A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado”.

Em complemento a essas palavras sua Santidade, o Papa, ainda fez algumas perguntas: “Gostaria de perguntar-lhes quantos de vocês pensam nisso? Haverá um dia em que eu encontrarei o Senhor face a face. Esta é a nossa meta, esse encontro. Não esperamos um tempo ou um lugar, mas caminhamos ao encontro de uma pessoa: Jesus.”

Portanto, explicou o papa, “o problema não é ‘quando’ acontecerão esses sinais premonitórios dos últimos tempos, mas o fazer-se encontrar preparados para o encontro. E não se trata nem mesmo de saber ‘como’ se darão essas coisas, mas ‘como’ devemos comportar-nos, hoje, à espera desse encontro”.

Por fim, vale recordar que a segunda vinda, conforme São Bernardo, por meio dos sacramentos nos preparam para a terceira e definitiva vinda de Jesus.

Aqueles que vivem santamente os sacramentos estão preparados para se encontrarem com Jesus na sua vinda gloriosa.

Neste Advento, que nosso coração esteja preparado para receber Jesus que vai nascer, com a certeza que Ele já está no meio de nós por meio dos sacramentos, porém, esperançoso de sua vinda definitiva, onde virá com poder e glória para julgar os vivos e os mortos.

Juntos possamos rezar:
Maranatha, vinde Senhor Jesus!

Elenildo Pereira

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

Fonte: Site Canção Nova

Reflita sobre as quatro semanas do Tempo do Advento

O Advento é tempo de preparação para a grande festa do Natal de Jesus

O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Esse foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. O Natal de Jesus, precisa ser preparado e celebrado a cada ano. São quatro semanas de preparação e no decorrer delas, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e virá no final dos tempos.

Por isso é um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor considerada sob diversos aspectos. Em primeiro lugar, a expectativa do Antigo Testamento pela vinda do Messias, do que falaram os profetas, agradecendo a Deus o dom inefável da salvação, que se realizou na vinda do divino Redentor. Agora, a vinda do Salvador deve atualizar-se no coração de todos os homens, enquanto a história se encaminha para a Parusia, ou seja, a vinda gloriosa do Senhor. É nesta perspectiva que devem ser escutadas as leituras do Advento. “Vinde, caminhemos à luz do Senhor!”

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Foto Ilustrativa: S847 by Getty Images

Nas duas primeiras semanas do advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele, também, está marcado para logo após a morte.

Nas duas últimas, lembramos a espera dos profetas e de Maria. Nos preparamos mais (especialmente), para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes; nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi e seu Reino não terá fim. Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.

A coroa do Advento

A Guirlanda ou Coroa do Advento é o primeiro anúncio do Natal. A coroa é verde, sinal de esperança e vida, enfeitada com uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus que nos envolve, e também, a manifestação do nosso amor que, espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.

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A Coroa do Advento é composta por quatro velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação. Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e, à medida que, vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. Os ramos em círculo, são de cipreste, de pinheiro ou de outra árvore ornamental, esses ramos são para lembrar a esperança cristã, alimentada com a proximidade do Natal. O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno e também da nossa ininterrupta dileção ao Criador e ao próximo.

Durante o advento prevalece a cor roxa, símbolo da conversão, que é fruto da revisão de vida, ou seja, a metanoia. As velas querem representar as várias etapas da salvação, sobretudo para significar, a espera Daquele que é “a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (João 1,9), e que está para chegar, então, nós, O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.

Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

São Leonardo de Porto Maurício, amante da pobreza

São Leonardo de Porto Maurício, encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio e renunciou a si mesmo

Lembramos hoje a santidade do sacerdote que, pela sua vida e missão, mereceu ser constituído pelo Papa Pio XI, como Patrono dos sacerdotes que, em qualquer parte da terra, se consagram às missões populares católicas.

São Leonardo, o grande missionário do século XVIII, como lhe chamou Santo Afonso Maria de Ligório, nasceu em Porto Maurício, perto de Gênova, Itália, a 20 de dezembro de 1676. Aconteceu que Leonardo perdeu muito cedo sua mãe, tendo sido criado e educado pelo seu tio. Encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio, por isso, ao renunciar a si mesmo, foi para Roma formar-se no Colégio da Companhia de Jesus. Por causa da sua inocência e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração de seus superiores, que nele viam outro angélico Luís Gonzaga. Entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura, e com 26 anos já era Padre.

Começou a vivenciar toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de Francisco, por isso ocupou posições cada vez maiores no serviço à Ordem, à Igreja e para com todos. Devoto da Virgem Maria, que lhe salvou a vida num tempo de incurável doença (tuberculose), São Leonardo de Porto Maurício era devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus na forma da adoração ao Jesus Eucarístico.

Foi, no século XVIII, o grande apóstolo do santo exercício da Via-Sacra. Era um grande amante da pobreza radical e franciscana. Toda a vida, penitências e orações de São Leonardo convergiam para a salvação das almas. Era tal a unção, a caridade ardente e o entusiasmo que repassava em suas pregações, que o célebre orador Bapherini, encanecido já no exercício da palavra, sendo enviado por Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito, desempenhou-se da sua missão dizendo “que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito de seus discursos era irresistível, que ele próprio não pudera reter as lágrimas”. São Leonardo era digno sucessor de Santo Antônio de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano.

O próprio Pontífice Bento XIV quis ouvir o famoso missionário, e para isso chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo. Depois de derramar-se por Deus e pelos outros, São Leonardo de Porto Maurício, não se tornou mártir, como tão desejava, mas deu toda sua vida no dia-a-dia até adoecer e entrar no Céu a 26 de novembro de 1751, no Convento de São Boaventura, em Roma, onde, 54 anos antes, se consagrara ao Senhor sob o burel de São Francisco. Não se limitou apenas à pregação o ilustre missionário de Porto Maurício; deixou também vasta coleção de escritos, publicados a princípio isoladamente, e reunidos depois numa grande edição, que prolonga no futuro a sua prodigiosa ação missionária, não apenas dentro das fronteiras da Itália, mas cujo âmbito é todo o mundo civilizado, pelas traduções feitas em quase todas as línguas cultas. Estes escritos constituem, em geral, um rico tesouro de verdades ascéticas e ensinamentos morais e homiléticos.

São Leonardo de Porto Maurício, rogai por nós!

Angelus: pobres devem estar no centro de nossas comunidades, diz Papa

No Dia Mundial dos Pobres, Francisco relembrou: “Estão no coração do Evangelho, neles encontramos Jesus”

Da redação, com Rádio Vaticano

Papa no Angelus deste domingo, 19 /Foto: Rádio Vaticano

Para seguir adiante e crescer no caminho da vida é preciso não ter medo, é preciso ter confiança. Foi a exortação do Santo Padre no Angelus deste domingo, 19, 1º Dia Mundial dos Pobres celebrado pela Igreja Católica. A partir do Evangelho dominical (Mt 25,14-30), sobre a parábola dos talentos, Francisco pediu aos cristãos que não desperdicem os dons dados por Deus.

Ao referir-se ao comportamento do terceiro servo que por medo de seu senhor enterrou o talento que lhe fora confiado, o Papa ressaltou a falta de confiança na relação entre o servo e seu patrão, e o medo que paralisa. Francisco afirmou que a parábola remete a importância do verdadeiro entendimento de Deus.

“Não devemos pensar que Ele seja Senhor inclemente, duro e severo que quer nos punir. Se dentro de nós há esta imagem equivocada de Deus, então nossa vida não poderá ser fecunda, porque viveremos no medo e isso não nos levará a nada de bom. Somos chamados a refletir para descobrir qual é verdadeiramente nossa ideia de Deus”, afirmou.

Segundo o Santo Padre, Jesus sempre mostra que Deus não é um Senhor severo e intolerante, mas um Pai repleto de amor, de ternura, um Pai cheio de bondade. “Jesus nos mostra a generosidade e a solicitude do Pai em muitos modos: com a sua palavra, com seus gestos, com seu acolhimento a todos, especialmente para com os pecadores, os pequenos e os pobres, mas também com suas advertências, que revelam seu interesse a fim de que não desperdicemos inutilmente nossa vida,” comentou.

Para Francisco a parábola dos talentos chama a uma responsabilidade pessoal e a uma fidelidade que se torna também capaz de colocar todos em novas estradas, sem “enterrar o talento”, ou seja, os dons que Deus confiou, e dos quais nos pedirá conta.

Após a oração mariana, o Papa lembrou aos presentes na Praça São Pedro que este sábado foi proclamado Beato em Detroit, nos EUA, Francisco Solano, sacerdote da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

“Humilde e fiel discípulo de Cristo, distinguiu-se por um incansável serviço aos pobres. Seu testemunho ajuda sacerdotes, religiosos e leigos a viver com alegria a união entre anúncio do Evangelho e amor aos pobres. (…) Faço votos de que os pobres estejam no centro de nossas comunidades não somente em momentos como este, mas sempre; porque eles estão no coração do Evangelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela através de seus sofrimento se de suas necessidades”, rogou o Papa.

Francisco recordou também as populações que vivem uma dolorosa pobreza por causa da guerra e dos conflitos, renovando à comunidade internacional um veemente apelo a fazer todo esforço possível em favor da paz, em particular no Oriente Médio. “Dirijo um pensamento especial ao querido povo libanês e rezo pela estabilidade do país, a fim de que possa continuar sendo uma ‘mensagem’ de respeito e convivência para toda a região e para o mundo inteiro”, afirmou.

Fonte:Site Canção Nova

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