A Bíblia deve ser estudada

Falar sobre a Bíblia, sua composição no decorrer dos tempos, descobrir nos textos bíblicos os vários tipos de literatura: romances, poesias, contos de fadas, lendas, livros de história e de ciência , parábolas cantos e orações, profecias, tudo isso nos encanta, chama a atenção para  várias descobertas e modos de vida. Esses livros, apresentados na sua diversidade, nos mostra que não devem ser lidos da mesma maneira, pois há muitos estilos diferentes.

Sabemos que a Bíblia é Palavra de Deus, escrita por mãos humanas, numa linguagem humana e que relata a experiência de Deus feita pelo povo de Israel, pelo povo judeu e pelo povo cristão A experiência de Deus se deu através dos seus sinais: a natureza, as pessoas, os acontecimentos Esse povo via e interpretava os sinais de Deus com os olhos da fé.  E todas as suas experiências foram relatadas a seus filhos, de geração em geração, mantendo viva a Aliança de amor que Deus fez com seu povo.

Foi passando os ensinamentos bíblicos para seus filhos que eles foram descobrindo Deus em tudo.  Assim, eles puderam perceber que os acontecimentos nos fatos da vida, mostravam a presença libertadora d Deus; as leis manifestavam a vontade de Deus na vida de cada um e foram possíveis a eles perceberem o Deus criador na beleza da natureza.

Para nós cristãos, depois de longo caminho percorrido pela Igreja e como Igreja, caminho esse conhecido como tradição, também vamos fazendo juntos a experiência de Deus, no nosso caminhar.

Desde o início de caminhada das primeiras comunidades cristãs, os apóstolos, conforme ordenara Jesus e os encaminhara em missão,  faziam o anúncio da Palavra, fazendo chegar até o povo os ensinamentos de Jesus, o chamado de conversão e o pedido de batizar em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como podemos ler em (Mateus 28, versículos de 16 a 20).

Após a morte de Jesus, as celebrações litúrgicas eram lugar privilegiado para se fazer a memória de Jesus, de seus gestos e de suas palavras. Por muito tempo, na história da fé cristã, o que se foi aprendendo sobre a Bíblia era através da liturgia.

Hoje, a liturgia continua sendo o lugar privilegiado para ouvirmos a Palavra de Deus, participar comunitariamente, do Mistério Pascal de Cristo, ou seja, da paixão, morte e ressurreição de Jesus, tornando-nos membros ativos da vida do Cristo, através dos sacramentos.

Mas, a abertura e possibilidades de termos a Bíblia na mão, estuda-la procurando compreender os ensinamentos de jesus e de toda experiência do povo da Bíblia, nos ajuda na nossa vivência cristã. Assim, todos nós cristãos, somos convidados a volver nosso olhar para a origem desses escritos para compreende-los bem, dentro da sua realidade, e trazer esses ensinamentos para nossa vida.

Olhando primeiro, para o Novo Testamento, as memórias estabelecidas durante a vida de Jesus são chamadas de pré-pascais. Isto quer dizer que os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João, os chamados de Evangelhos se referem à vida de Jesus, enquanto ele caminhou no meio do povo.

Para melhor entender, os Evangelhos foram escritos a partir dos anos 65, depois da morte de Jesus: O Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito, mais ou menos entre os anos 65 a 70 do nosso tempo. Os Evangelhos de Mateus e Lucas foram escritos depois, por volta dos anos 80 a 90 do nosso tempo (Era cristã);  O Livro do Apocalipse (que quer dizer – Revelação – foi escrito, mais ou menos nos anos 95 e o Evangelho de São João, por volta dos anos 100. Vejamos que foi depois de passados, mais ou menos, 35 anos da morte de Jesus que iniciaram os escritos. Nesse período o povo foi fazendo sua experiência, aprendendo com os apóstolos e com a comunidade que iam se constituindo. Depois vieram os escritos.

Nos evangelhos, (Marcos, Mateus, Lucas e João), o conteúdo principal que eles trazem é sobre a humanidade de Jesus (encarnação), fala do seu convívio com as pessoas, o cuidados com as mulheres e crianças, o cuidado com os pobres e o anúncio do Reino, mostrando-nos o seu caminho; trazem os relatos sobre a ceia pascal que Jesus comemorou com seus discípulos, sua prisão, a paixão vivida e sua morte que aconteceu como consequência do seu amor libertador comprometido com os pobres e pequenos.

Nos escritos paulinos, temos Paulo e seus amigos que, ao escreverem suas mensagens conhecidas como “Evangelho” nos trazem ensinamentos da mensagem de Jesus que nos ajudam a compreender o Cristo pós-Pascal.

Para Paulo, o seu Evangelho é o anúncio da salvação pela morte e Ressurreição de Cristo, É o anuncio de Cristo pós-Pascal, isto é, após sua ressurreição.

O livro do Apocalipse, que quer dizer “revelação” vai nos contar os conflitos vividos pelos cristãos, numa época difícil para eles, que era de perseguição do Imperador Romano.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.
Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte

Isolamento social é um ato de amor

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, uma das palavras que mais temos escutado nos últimos dias é isolamento social. Para muitos, a pandemia do coronavírus não passa de uma histeria coletiva. Contudo, quando olhamos para outros países, e neste momento em especial para a Itália, deparamo-nos com a certeza de que a pandemia é uma realidade perigosa e que mata. Por isso mesmo, o isolamento social é o caminho para frear o avanço do coronavírus.

Isolamento social não é egoísmo

Isolar-se socialmente, neste momento, não é um ato de egoísmo, mas sim uma prova de amor ao próximo e a nós mesmos. No Evangelho de hoje lemos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes” (cf. Mt 12,30-31). O que não desejamos para nós também não devemos oferecer ao próximo. Amar implica cuidar da vida e da saúde dos nossos irmãos e irmãs.

Amar o próximo, nestes tempos de pandemia, significa estarmos distante fisicamente, hoje, para nos abraçarmos alegremente no futuro. Santa Teresinha do Menino Jesus nos ensina que, mesmo distantes um dos outros, podemos estar unidos em oração: “Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela”.

Rezemos uns pelos outros e nos cuidemos mutuamente, respeitando as orientações das autoridades civis e religiosas.

Receba minha bênção!

Padre Flávio Sobreiro
acesse: @peflaviosobreirodacosta

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/isolamento-social-e-um-ato-de-amor/

Comissão para Liturgia oferece roteiro de Celebração da Palavra de Deus em família

Neste domingo, 5 de abril, a Igreja no mundo dá início a celebração da Semana Santa, que este ano vai ser diferente por causa da pandemia do Coronavírus. A conferência Nacional dos Bispos do Brasil por meio da Comissão Episcopal para a Liturgia convoca os cristãos a celebrar a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho e aclamado pelo povo cada um e cada família, em suas casas.

Para ajudar neste momento de fé e esperança a Comissão para Liturgia preparou um roteiro especial de Celebração da Palavra de Deus para ser feito em família. Além é claro de poder acompanhar as missas transmitidas pelos veículos de comunicação de inspiração católica.

  • Escolha em sua casa um local adequado para celebrar e rezar juntos.
  • Prepare sua Bíblia com o texto a ser proclamado, um crucifixo, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora, uma vela a ser acesa no momento da celebração.
  • Escolha quem irá fazer o “Dirigente (D)” da celebração: pode ser o pai ou mãe e quem fará as leituras (L). Na letra (T) todos rezam ou cantam juntos.

A comissão indica ainda que colocar no portão ou na porta de casa (em um lugar bem visível) um ramo no momento da celebração pois marcar a casa é uma característica do povo de Deus.

De acordo com a comissão, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora na Igreja do Brasil, afirma no número 73 que: “A casa, enquanto espaço familiar, foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com diversas pessoas (Mc 1,29; 2,15; 3,20; 5,38; 7,24). Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e pecadores (Mc 2,15ss; 14,3), refletia sobre assuntos importantes, como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento na comunidade (Mc 9,33ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43).”

https://www.cnbb.org.br/wp-content/uploads/sites/32/2020/04/Celebrar-o-Dia-do-Senhor-em-Fam%C3%ADlia-Ramos.pdf
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Presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB esclarece sobre confusões em relação à fé que circulam nas redes sociais a respeito da Covid-19

Na última sexta-feira, 27 de março, pela primeira vez, o mundo se uniu em oração ao Papa Francisco para acompanhar, direto da Praça São Pedro vazia, a bênção extraordinária Urbi et Orbi – que geralmente é feita apenas no Natal e na Páscoa. O momento de oração foi um pedido pelo fim da pandemia do novo coronavírus. Além disso, Francisco concedeu indulgência plenária – que é o perdão do mal causado como consequência do pecado – aos fiéis.

Desde o início da pandemia no Brasil, inúmeros momentos de oração, reflexão e pregação têm tomado conta das redes sociais. Muitos deles sem fundamento algum na Doutrina Católica, que é constituída pelo conjunto de dogmas, verdades de fé , ensinamentos, preceitos e leis que formam o magistério da Igreja Católica Apostólica Romana.

Fernando Altemeyer Júnior. Foto: arquivo pessoal

O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Fernando Altemeyer Júnior, escreveu recentemente sobre amuletos e proteção. “Deus não escolhe uns e mata outros de forma sádica ou como algo inevitável da roda cíclica da morte”, disse.

Em um trecho do texto, o professor destaca que “essa maneira de ver a religião como amuleto da sorte, ou posse de objetos sagrados que me salvassem do mal que todos estamos submetidos é tremendamente defeituosa e caricata. Falsifica Deus e o faz ser um agente do mal”.

Ainda segundo o texto, o teólogo afirma que a oração não é vacina nem é antídoto. “Se fosse assim a dezena de padres mortos em Bolonha estaria viva! Fé é a força da esperança de quem crê e confia sem resultados aparentes. Pessoas de fé também morrem e às vezes mais que os incrédulos. Fé não salva uns e mata outros, protegendo uns e discriminando outros. Se fosse assim estaríamos dizendo que Deus detesta Itália e ama o Brasil”.

O professor Altemeyer destaca no texto que “Deus nos ama por igual, todos e cada um, crente ou ateu, mesmo se não rezássemos nem um pai-nosso. Deus que é Pai perdoa antes que abramos a nossa boca. Atenção para esse tipo de religião mágica de barganha e privilégios”.

Dom Pedro Carlos Cipollini. Foto:CNBB

Em uma rápida busca pela internet é possível ver que as pessoas têm escrito e compartilhado “explicações” sobre os desígnios de Deus a respeito da pandemia do coronavírus. Diante disso, o portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conversou com o bispo de Santo André e presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB, dom Pedro Carlos Cipollini, que destacou que esta visão de que Deus castiga e pune não está de acordo com a revelação que Jesus nos fez do Pai que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta de vida.

Leia a aqui entrevista completa:

Deus quem manda o vírus para converter o povo?

Não é Deus que manda. Esta visão de que Deus castiga e pune não é de acordo com a revelação que Jesus nos fez do Pai que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. Jesus disse ainda: quero misericórdia e não sacrifício.

Deus não manda, mas permite com um objetivo maior?

Deus permite? Sim Deus permite as consequências das ações do próprio homem que hoje por exemplo está de certa forma destruindo a natureza, a terra, nossa casa comum. Isto porque Deus é Pai mas não paternalista, ele permite que soframos as consequências de nossas escolhas.

A fé pode ser uma armadura e evitar as infecções?

A fé é sempre uma armadura do espírito para, mais que evitar, vencer o mal em todas as suas manifestações. Porém, a cura pode ser fruto da própria ação inteligente do homem que consegue descobrir os remédios necessários. Agora algumas curas são especiais e fruto da intervenção direta de Deus sem explicações científicas.

Somente os não pecadores e convertidos serão salvos?

Esta pergunta sobre quem será salvo está lá no Evangelho de Marcos (cap. 16,16) “quem crer será salvo” . Consideremos que este ato misterioso de crer pode vir até em um último momento como veio para o bom ladrão. Serão salvos os pecadores que reconhecem seu pecado e os que estão no caminho da conversão. Deus quer que todos se salvem e nenhum se perca.

Como podemos enxergar coerentemente aos olhos da fé tudo que está acontecendo?

Aos olhos da fé devemos ver a ação de Deus em tudo. Ele está presente em tudo o que acontece mesmo que seja algo que aparentemente seja absurdo como a morte de um inocente na cruz (Jesus). A fé nos ensina além disso que tudo concorre para o bem dos que creem e amam a Deus. Pois Deus sabe tirar o bem de situações que são ruins como a morte na cruz. Foi passando pela cruz que Jesus ressuscitou. Morrendo destruiu a morte. A fé aponta para o mistério pascal que está impresso em todas as realidades e também nessa de pandemia. É um momento de sofrimento, mas Deus fará surgir uma luz. A vida tem a última palavra, Deus tem a última palavra, esta é a visão da fé.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/na-ultima-sexta-feira-27-de-marco-pela-primeira-vez-o-mundo-se-uniu-em-oracao-ao-papa-francisco-para-acompanhar-direto-da-praca-sao-pedro-vazia-a-bencao-extraordinaria-urbi-et-orbi-que-geralment/

Papa Francisco alerta para os vícios e os perigos do mundo virtual

Cidade do Vaticano

Pela libertação dos diferentes vícios que hoje afetam milhões de pessoas em todo o mundo: na intenção de oração deste mês de abril, Francisco lança seu olhar para as pessoas escravas das dependências.

O “drama do vício”não apenas se refere apenas à dependência de drogas, álcool e cigarro, que continuam sendo as mais comuns na sociedade. Hoje, esse drama assume formas diferentes e novas: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o crescente uso de Internet, computadores, smartphones e outros dispositivos eletrônicos está associado não apenas a benefícios para usuários, mas também a casos documentados de uso excessivo, que podem levar a diferentes vícios com consequências negativas para a saúde.

Esta presença incontrolada nas plataformas digitais pode afetar a qualidade das relações cotidianas.

Diante desses “perigos do mundo virtual”, o Papa explica que, “apoiados pelo Evangelho da Misericórdia, podemos aliviar, cuidar e curar o sofrimento relacionado aos novos vícios”, por exemplo, através de prevenção, reabilitação e projetos de reintegração.

Pandemia

A Rede Mundial de Oração do Papa, à qual são confiadas as intenções de oração, escolhem com quase um ano de antecedência os temas para cada mês. Mas em meio ao período de pandemia de coronavírus que estamos vivendo, a Rede lançou um vídeo extraordinário no dia 24 de março, em que o Papa pede para rezar pelos doentes e os que sofrem, e agradece também a “todos os homens e mulheres de boa vontade que rezam por este momento, todos unidos, sem distinção de tradição religiosa a que pertençam”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-04/papa-francisco-intencao-oracao-abril-vicios.html