A LIBERDADE DE DIZERMOS AINDA NÃO.

 

  1. “A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano” (Clarice Lispector)

Se eu fosse pensar o cenário das nossas ultimas conversas juntos aqui na coluna com certeza seria uma serie sobre como reconhecer-nos humanos. Está nas mãos do Eterno se esse será ou não o ultimo texto do que poderíamos chamar serie “Humanidades” e se iniciaremos uma deliciosa partida para outros temas. Jesus tem ministrado muito na minha vida através dessa palavra: Humanidade. Ele tem ministrado na minha vida através da vivência da minha humanidade. Confesso a vocês que não tem sido fácil lidar com tudo que há em mim e com toda a quebra de expectativas externas, mas, há a fé inefável de que Ele está me levando para um bom lugar. Lembro-me de há alguns anos o nosso fundador da Resgate profetizando para mim o quanto eu era um diamante bruto e o quanto eu iria ser lapidada e provada no fogo e o quanto essas marteladas de lapidação iriam doer, mas, no final, uma bela peça estaria sendo formada. E eu vejo isso acontecer hoje e vejo o quanto Deus tem algo me esperando lá na frente, sabe? (É engraçado quando a gente começa a profetizar na nossa própria vida, eu sei, mas isso deveria acontecer mais vezes, sabia? Porque tu é dEle, não esquece). E Jesus tem presenciado o Seu agir na minha trajetória também através de meios humanos. Através de amigos, de contas de missionários no instagram e no quanto os stories de cada um fala sobre permanência e sobre a perseverança deles enfrentando tudo aquilo que eu também estou passando, através de circunstâncias, de sentimentos e da terapia. Sim, sou missionária. Sim, prego a palavra. E, sim, faço terapia. Uma coisa não exclui a outra. Existem em nós questões espirituais das quais necessitamos da ajuda de um diretor espiritual: um missionário experiente que já está acostumado a direcionar, um padre, diácono e afins. E existem, obviamente, as nossas questões psicológicas que implicam nossos pensamentos, formas de agir, nossas convicções e construções mentais, muita coisa que está cristalizada em nós desde a nossa infância, dos contextos que crescemos; e que, muitas vezes, nos impregnam de inseguranças, medos, traumas que nos impedem de dar passos mais largos na vida que escolhemos viver e no meio disso tudo necessitamos da ajuda de um profissional da área que compreenda todas essas questões, processos e estruturações da nossa mente. Isso não é tirar de Deus o poder dEle de fazer todas as coisas na nossa vida, de nos curar e tudo isso, mas, o contrário, é saber que Ele vai usar de muitos meios para demonstrar o cuidado dEle na tua existência, porque nEle nos movemos, vivemos e somos (At 17, 28-30) e todo o universo fala de Deus.  O exercício do meu ministério como pregadora da palavra e do ministério pessoal que sou eu para Deus me despertou a necessidade de trabalhar em mim algumas dessas coisas que interferiam no meu “dar o melhor para Deus, pela missão e por mim”, como a insegurança, o medo da exposição, das criticas, das expectativas que construíram sobre mim, etc. Sim, se vocês notaram bem eu falei “ministério pessoal que sou eu para Deus”, porque nós somos ministérios vivos de um Deus vivo. Precisamos cuidar dessa casa, da preciosidade e do instrumento que nós somos para Deus. É interessante o quanto dizemos que somos morada do Eterno, que somos sacrários vivos e esquecemos tanto de cuidar desse sacrário.

Quando nós percebemos a bagunça que está habitando dentro desse ministério, a gente se incomoda, sabe? Porque o Espírito Santo é ordem, é ordenador. E quando vamos desvendar de onde veio toda essa desordem, percebemos que não conseguimos organizar a bagunça porque estamos presos em muitos lugares, em muitos “algos”, estamos reféns, escravizados por muitas coisas. Então, começa a surgir na nossa alma o desejo de liberdade. Em algum momento até podemos confundir essa liberdade com a liberdade de fazer qualquer coisa, de não ter limites, de não ter dono, de não ter regras. Mas, a liberdade que falo aqui é uma liberdade que vai além, é uma liberdade de reconhecer que ainda não. Como assim? É porque nós quando assumimos um lugar de cristão ou de qualquer outra coisa na vida, nós criamos um ideário voltado à perfeição e muitas vezes as pessoas criam e nós mesmos criamos imagens de nós, baseada em fragmentos, que excede quem somos, e nós nos sentimos na obrigação de a todo custo corresponder aquela imagem e nos abstemos, na maioria dessas vezes, de quem verdadeiramente somos, pelo medo de não sermos mais amados com a mesma intensidade, medo de sermos deixados de lado e retirarem de nós tudo aquilo que nos confiaram. Ficamos presos em sempre agradar e sempre corresponder às expectativas. As pessoas criam e nós mesmos também criamos imagens negativas ou positivas de nós mesmos, mas, não podemos – de forma alguma – ficar presos a nenhuma dessas representações. Vou contar a vocês minha experiência para que fique mais palpável ao entendimento.  Por muito tempo as pessoas se acostumaram com uma imagem minha de meiga, fofa, “perfeitinha” e elas, em algum grau, esperavam de mim isso, por muito tempo o meu ego foi acariciado por essas imagens, até ficar difícil suportar, principalmente quando comecei a sair da adolescência para a idade adulta (jovem-adulta), quando se tornou sacrificante e angustiante mostrar-me em uma imagem tão livre de maculas, pois, as fases de transição nos reservam a mostra de nossa fragilidade, é quando estamos nos deparando com inúmeras situações novas e ainda estamos aprendendo a lidar com tudo. Precisei então tomar as rédeas do meu processo e dizer para muitas pessoas e para mim mesma que AINDA NÃO. Ainda não sou santa (e como estou distante…), que ainda não conclui meu processo, que ainda não sou tudo aquilo que é projeto de Deus na minha história. Que ainda estou em caminhada. Que ainda estou em construção. Que ainda estou aprendendo. Assumi as rédeas de assumir para o mundo as minhas verdades, que Deus ainda está trabalhando em mim. Que muitas vezes ainda fraquejo no ardor da oração e da leitura da palavra. Que eu não preciso ser meiga o tempo inteiro. Que existe uma versão inteira dessa menina aqui que inclui positividades e negatividades, mas, nunca exclusivamente uma ou exclusivamente outra. Mas também não permita que te façam acreditar que tu é inútil, que tu se reduz aos teus defeitos, que tu não é tão bom, muito menos capaz. Liberdade é a graça de ser em Deus longe dessas cadeias, de viver as suas nuances, as suas faces diante de Deus sem precisar ser pela obrigação de manter alguém ao seu lado, sem medo de perder algo. Porque tudo o que Deus te der para ser teu, para fazeres, para ser responsável, para ser ministro dEle, vai independer de tudo isso, vai independer se te “veneram” ou se não vão com a tua cara, se gostam ou se não gostam do teu jeito de ser, se concordam ou discordam das tuas atitudes. Os projetos de Deus independem disso, por isso, não deixe de servir. O serviço a Deus não depende do que pensam a teu respeito, “veja você que, no final das contas é entre Você e Deus e não entre você e os homens” (Madre Teresa de Calcutá). Por isso, assumir nossa humanidade em Deus, sem esconder nada do que existe dentro de nós e que está em processo, é romper com cadeias. E isso, é a maior liberdade que o homem anseia em seu interior. A liberdade de só ser. Se alguma pessoa pode sair da tua história porque você é quem você é, saiba que ela não precisa ficar. Deus encontrará os caminhos certos para ela. Também não permita que permaneçam pessoas que te impedem de ser quem você é de verdade, que te fazem se sentir culpado por você ser quem é. Porque Jesus não é assim. Ele vai te ajudar a alcançar a melhor versão de ti, mas, sem jamais te fazer sentir pesado e angustiado por ser você. A lição que fica hoje é que o mínimo que pudermos criar de imagens das pessoas que habitam ao nosso redor seria algo muito muito muito massa, porque podemos estar as escravizando sem perceber, achando que estamos cuidando, protegendo, contribuindo. Que o Senhor sempre nos dê muita sabedoria e discernimento para cultivar a nós mesmos e as nossas relações.

Muitas vezes, as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto e franco assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja, Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja que, no final das contas, é entre você e Deus e não entre você e os homens.

(Madre Teresa de Calcutá)

Paz e bem, Resgatianos. Beijos da Bru :*

Bruna Santana
Missionária Comunidade Resgate

 

ACEITAR NOSSA HUMANIDADE

Parei um pouquinho os meus estudos para refletir um pouco sobre alguns sentimentos. Mais cedo uma pessoa que nem conheço me procurou para pedir oração e desabafar – uma garota de 16 anos – ela me contava sobre suas angustias de viver as esperas de Deus e sobre sua crise vocacional. Depois disso um ministro de música que conheci nas missões há pouco tempo veio me dar a boa noticia de que mais uma vez ministraríamos juntos em um encontro de jovens e começamos a conversar empolgadamente, falando de como seria bom haver altos shandará (gíria pessoal para momento de oração e partilha fervoroso), falávamos sobre ousadia e sobre acreditar no Deus de ousadia. Mas, minha cabecinha humana me transportou para momentos em que eu não fui tão ousada assim, para os momentos que eu errei e erro, para os momentos que tenho medo, me fazendo pensar se o que eu estou transmitindo para as outras pessoas é aquilo que eu sou 100% do tempo. PORÉEM, ao mesmo tempo me permiti pensar: O que eu sou em Deus? Ousada, acredito em sonhos, tenho os momentos de ser aquela dos incentivões, bora a gente consegue, vamos acreditar no Espirito Santo. E no escondidinho do meu quarto choro e tenho medo. Sou  tudo isso. O que essa contradição me revela? Não duas faces, não uma falsidade. Mas, um ser humano que está como qualquer outro vivendo, aprendendo e se deixando moldar por Deus, aos poucos. Um ser humano que ainda vai errar algumas muitas vezes, que vai tropeçar outras tantas.

Então, penso também no meu olhar para as outras pessoas, para as pessoas que são para mim inspiração de fé e imagino que essas pessoas também têm os seus momentos de “contradições” e que isso é o maior desafio que elas travam em relação si mesmas, que elas são tão humanas quanto eu sou, que elas não estão sendo menos de Deus por causa disso e que apesar de tudo isso, o que brilha mais é aquilo que elas são em Deus, e que essa luta é a maior prova de amor que elas dão a Ele todos os dias. É voltar a dizer sim sempre que errou, sempre que caiu. Existe um pensamento lindo que vi em um dos primeiros livros que li do Professor Felipe Aquino dizendo que Deus não se preocupa tanto com a nossa vitória (porque ele já sabe que vai acontecer, ele é poderoso para nos fazer vencer), mas, que para Ele importa mais que estejamos tentando. E esse é um dos maiores presentes que podemos dar a YHWH como jovens: O nosso continuar tentando, sem desistir e, nessa jornada, encontrá-lo na nossa humanidade. Descobrindo um Deus que conhece profundamente a nossa humanidade.

Nós como jovens precisamos nos acolher e nos tranquilizar em Deus. Vivemos uma cultura imediatista que também lança raízes profundas desse modo de vida no jeito como olhamos a nós mesmos. Queremos ser perfeitos agora, queremos deixar nossos erros para trás de uma hora para outra, como se magicamente tudo fosse se distanciar da gente sem muito esforço. A gente não tem um olhar lançado à frente e isso nos impede de enxergar o processo acontecendo. Não enxergando o processo, nosso coração não fica tranquilo porque a gente acha que nada tá acontecendo, que a gente continua errando, que não tem jeito para gente, que é melhor desistir, que a gente não presta para servir porque a gente tem nossos lados podres que continuam insistindo em aparecer. Mas, pera ai, larga dessas ideias e acompanha o raciocínio:

Como Deus se revela na nossa vida?  Quando nos decidimos por viver em Deus isso não quer dizer que nós tenhamos de largar toda e qualquer coisa. Embora ainda precisaremos de um período mais afastados, em retiro pessoal, distantes de algumas coisas para melhor processarmos tudo aquilo que Deus está nos chamando e que o barulho do mundo nos impede de ouvir: Essa voz que nos chama com amor. Esse período também é fecundo para que possamos repensar e fazer uma análise de como está a nossa vida, da importância exagerada que damos a determinadas coisas e a outras não. E, assim, à luz da revelação de Deus a gente vai vendo o que está fora do lugar e precisa ser colocado no lugar. Revemos nossas prioridades, voltamos nosso olhar para aquilo que é mais importante naquele momento, pois, é aí onde geralmente Jesus inicia o nosso processo de cura junto conosco, seja na nossa família, na nossa afetividade, nas nossas amizades, em algum aspecto do nosso caráter e da nossa subjetividade. Isso não quer dizer que vamos ficar distantes para sempre, mas, nesse tempo vamos encontrar o equilíbrio interior necessário, um novo modo de olhar o mundo, para que nossas relações com as pessoas e coisas possam sempre glorificar a Deus ou para que possamos levar nem que seja um pouquinho do nosso Deus para as pessoas e realidades que vivemos. Então, se acalma hoje, tudo bem? E apenas escuta a voz de Deus e o que Ele te fala sobre o teu ser tão humano. Por isso, é importante qe você não recrimine sua humanidade, mas que encontre nela Jesus.

Que o Amado e a Virgem Santíssima te cuidem. Beijinhos. :*

Bruna Santana
Missionária Comunidade Resgate

 

PROGRAMA RESGATANDO VIDAS – AO VIVO

Caros irmãos e irmãs!
Comunicamos que nossas transmissões ao vivo todos os sábados das 20:30 as 22:30 atraves de nosso site e nosso aplicativo estão de volta.
Acesse e participe conosco!

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RECONEXÃO: SEMPRE EXISTE O CAMINHO DE VOLTA PARA CASA NO MEIO DA MULTIDÃO.

Escrevo hoje para os jovens que sentem saudade de casa, do colo de Deus, para aqueles jovens que estão vivendo a dureza da vida missionária, as inconstâncias, as distâncias, os fracassos, as frustrações. Escrevo para cada um de vocês que decidiram se doar talvez a 4, 5, 6, 10 anos e sentem falta da simplicidade dos primeiros dias. A você que de alguma forma está sentindo a necessidade de sentir o colo de Jesus cada vez mais perto, a você que só quer deitar a cabeça nesse colo de pai e descansar, fechar os olhos e esquecer por alguns minutos todo o mar de responsabilidades, de dificuldades e se afogar no mar sem fundo que é Deus.
Sei o quanto tens responsabilidades e o quanto elas te afligem. Sei o quanto a faculdade/curso tem te sufocado. O quanto todas as responsabilidades se acumulam e parecem uma grande montanha na tua frente. As responsabilidades que teus estudos te exigem, as responsabilidades do trabalho, prazo, projetos, horários, rotinas. Além de tudo isso, tem aquele essencial que escolhestes há muito tempo, quando tu deste teu primeiro sim, as responsabilidades de ter as noites livres para a missão, de dar o teu tempo para os que precisam do teu ouvido e muitas vezes não ter tempo para ser escutado. Sei o quanto é cansativo. O quando tanta coisa nova aconteceu na tua vida nos últimos tempos e o quanto em algum momento no meio disso tudo você se viu perdido e o quanto ainda não aprendeu a lidar com tudo isso, o quanto você vem se equilibrando numa corda bamba, fazendo marabalismos para se manter em pé. Sei o quanto você pode ter caído na rotina e o quanto esse sentimento de obrigação te incomoda, principalmente quando tem tantos olhares voltados para ti. Eu sei o quanto queres o natural. Eu sei do teu desejo por um reconectar, por voltar a viver uma simplicidade diante de Deus.
Talvez você esteja se perguntando nesse momento como fazer isso, como voltar a se recolacionar com Deus da forma mais simples que você puder. Sem ser pelas obrigações, sem ser pelo ministério, sem ser pelo dom, sem ser para pedir ou exigir. Você tem sentido falta de ser só filho. Você anda em busca de uma conexão natural parecida com essa música aqui da Ziza Fernandes: “O que agrada a Deus/ Em minha pequena alma/ É que eu ame minha pequenez/ E minha pobreza”. Eu sei que você tem estado em busca daquela entrega tão profunda que experenciamos nos retiros fechados durante três dias, sem preocupação alguma, vivendo vinte e quatro horas imersos em Deus, nos seus louvores e na sua palavra, entre os irmãos.
E no meio de todas essas questões e desejos do teu ser, eu me pergunto se o que você perdeu não foi simplesmente a conexão mais verdadeira com Deus, mas também a conexão verdadeira consigo mesmo. Falo e falo porque é isso que Deus também me revela no meu processo pessoal. Talvez o que você precise agora é traçar um caminhar cotidiano, lento, processual e frutífero em busca de você mesmo, de suas verdades, de sua identidade, pois, é no que você tem de mais peculiar e particular que Deus faz morada, foi Ele quem te criou, lembra? E, muitas vezes, isso é arrancado de nós pelo mundo que quer nos dar formulas prontas. Sabe aquela sementinha que é plantada entre os espinhos e os espinhos crescem e a sufocam? Às vezes a gente acha que isso não vai acontecer com a gente só porque nossa sementezinha foi plantada faz tempo, mas, sementezinhas do evangelho estão sempre sendo plantadas em nós todos os dias, por isso que dizem que nosso sim deve ser diário. A gente deve ter cautela com os excessos que o nosso ego e quem está de fora colocam em nós – que nos fazem morrer aos poucos, que fazem com que nos adequamos a padrões que não tem a medida que o Senhor escolheu para nós. Deus te fez cheio de particularidades, foi Ele que te fez. E não há mal nisso. Gosto de ver a humanidade como uma imagem de quebra-cabeça, em que cada peça é diferente, mas se completam, se harmonizam em suas diferenças e no final formam um belo conjunto. Quando Deus nos fala em Mateus 5:13 sobre o sal que perde o sabor, me remete muito a isso: a identidade. O sal perde o sabor quando perde suas propriedades químicas, nós nos desconectamos quando perdemos nossa identidade. Você vai ver que o seu relacionamento com Deus vai se religando conforme você for se reencontrando, pois, Deus habita em quem você verdadeiramente é. São João da Cruz nos aconselha a sempre perguntar olhando para dentro: “Onde te escondestes amado de minha alma?”, porém, para isso, primeiro você precisa reconhecer a verdade da sua alma para então encontrar quem está nela.
E – acima de tudo – cultive a paciência consigo mesmo e com os outros. Pois, o processo de se reconectar é lento e nem sempre as outras pessoas vão estar vivendo o mesmo tempo que você, tente compreender isso, por mais que eu saiba – e como sei – o quanto é difícil. Além disso, dentro desse seu processo, se dê a oportunidade de sair em alguns momentos do seu mundinho e encontrar quem está do lado de fora da porta do seu quarto. Encontrar sorrisos, olhares. Se reconectar também é um processo de se reconectar com o outro. É sempre Eu, Deus e o Outro. Sempre nesse tripé. Recebimento e doação.Você só ama a Deus, se ama o próximo e só ama o próximo se ama-se. A via de reconexão com Deus passa pela reconexão com o outro e a reconexão com o outro passa pela reconexão consigo. Afinal, “não amas a Deus que não vês se não amas o irmão que vês” lá em 1JO 4 e o mandamento que Jesus nos deixa como o segundo mais importante “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Anjos em forma de gente me ensinaram isso nos últimos dias. Então, amores, essa é a reflexão que fica para hoje. A música que me conduziu nesse refletir foi o novo song da queridinha Colo de Deus “Pare o tempo”. Vale super a pena ouvir, principalmente se você se identificou com essas palavras.

Um beijo grande e os cuidados do Altíssimo. Bru. :*

 

Bruna Santana
Missionária Comunidade Católica Resgate

DEUS. MÁS COMPANHIAS. RELACIONAMENTOS

  1. “Não é nada sobre mim, é tudo sobre Deus”.

Se assustou com o título? Kkkk. Mas, primeiro deixa eu te perguntar uma coisa: Quem são as pessoas que você convive? Existe alguém que te diz que é errado andar com elas? Existe alguém que te põe medo para não “deixar-se levar” pelas pessoas que não são cristãs e que aparentemente não são tão boas companhias? Queria te contar que em todas as vezes que eu me senti mal, que me senti um lixo e abri o evangelho eu encontrei um Jesus que gastou tempo com pecadores, que quis estar perto deles, trocar palavras com eles, e meu coração se aliviou. Sim, Jesus não viveu nem frequentou nada que fosse fora de seus princípios, mas andou com, conviveu com, amou-os. Fez-se presente na vida de cada pessoa condenada pela sociedade pelos erros que cometeu, pediu água, entrou nas suas casas, defendeu-os de serem apedrejados, percebe? Abraçou-os.  Jesus é assim. Porque você não pode ser amigo de quem fuma maconha, de quem é gay, lésbica, bissexual, de quem fica com vários em uma noite, de quem vive em festas? De quem não acredita em Deus? Para não se corromper? Porque te disseram para temer? Para não ser influenciado? Isso tudo me parece tão raso, tão não Jesus que se aproximou de todos até o fim. Parece-me que ficamos na superfície dos fatos, na superfície do que é a fé, de quem é Jesus e do seu poder. O que a palavra nos diz? Diz que a fé do tamanho de um grão de mostarda é suficiente para mover montanhas, e se é suficiente para isso, também será suficiente para te fazer permanecer firme, por isso, o que você precisa é ter fé, relacionamento com Deus, intimidade, e não medo das pessoas que não escolheram os caminhos de Jesus. Porque é você quem faz Deus conhecido nas realidades que você encontra. Você leva Cristo no sacrário que você é, dentro do seu coração, na sua forma de vê-lo e vivê-lo. É triste que na nossa cultura dentro e fora da igreja fomos ensinados através de um ditado popular muito conhecido: “Me digas quem tu andas, e te direi quem tu és” a nos distanciarmos de outros seres humanos. Mas, reconhecer que sou ser humano passível de afastamento também, que apenas erro de uma forma diferente, me fez mudar muitas das minhas concepções. É assim que eu ouso retificar: “Me diga com quem andas e o porquê andas que te direi de quem és”. E o segredo está nessa pequena palavra: “Por quê?”. Qual os teus motivos, para onde tuas intenções estão voltadas. E se andas com os marginalizados da sociedade porque vês Deus profundamente em cada um deles? Porque vês Deus se derramando de amor por cada uma das pessoas que o rejeitam e, por isso, torna-te instrumento pelo qual Deus os ama, mesmo que eles não saibam que é Deus os amando através de ti? Porque não é sobre não se misturar, é sobre como se relacionar em Deus. É sobre o modo como você olha. Como você ama. Jesus foi aquele que buscou espaços de aproximação, espaços que fossem pertinentes aos dois. Jesus se preocupou em ensinar amor. Existe uma música que descreve muito bem isso, “Humano Demais” do Padre Fábio de Melo: “Eu confesso não saber compreender/ Sou humano demais para compreender/ humano demais para entender/ Esse jeito que escolhestes de amar quem não merece”. Deus não quer que você deixe as pessoas de lado, ele quer que você ressignifique sua história com elas. Você já parou para pensar que Deus ama até a ultima gota do seu sangue derramado na cruz cada uma das pessoas que te pediram para manter longe? Eu tinha muitos preconceitos até Jesus me mostrar o quanto ama cada um de nós. Até Jesus me mostrar que sou tão pessoa, tão humana como cada um dos alvos do meu preconceito. Que o que tenho de especial, cada um deles também tem e muitas vezes em dobro. Se você vive uma vida que não corresponde àquilo que é projeto de Deus para a tua jornada junto com alguns amigos, Deus te pede para sair dessa vida, não para abandonar as pessoas que a viviam com você. Mas, ser luz.  Como? Permanecendo, sendo amigo, sendo colo, sendo morada, sendo abrigo, rindo, gargalhando, trocando presentes, elogiando, dando tempo do seu dia a elas. Não é sobre se converter e ser o perfeito, o escolhido, o separado e se isolar, é sobre a capacidade que Deus te dá de amar, pois, “no entardecer da vida seremos julgados pelo amor” e nada mais, é o que nos falava São João da Cruz. É tudo sobre amar. Amar a si mesmo, amar ao outro, amar a Deus. Encontre motivo maior para viver o seu espaço, o seu cotidiano, seja no trabalho, na sua faculdade, no seu grupo de amigos, na sua família. Porque é tudo sobre Deus.  Porque eu to falando isso para vocês, jovens? Porque eu sei o quanto essa nossa fase exige que estejamos sempre tomando decisões importantes, sobre ficar, sobre ir, sobre deixar ficar, sobre deixar ir, sobre pessoas que entram e saem da nossa vida o tempo inteiro. Sobre como muita gente fica sempre cheia de conselhos para nos dar, o quanto nos pedem para deixar as más companhias, o quanto nos pedem para mudar hábitos, tudo muito necessário em determinados momentos, mas, esquecem também de nos falar sobre não excluir, sobre amar quem não conheceu Jesus e quem não tem a menor intenção de conhecê-lo mesmo que pudesse. Porque para nós o amor é Deus e amando já O fizéssemos conhecido sem que soubessem. Esqueceram que muitas vezes as pessoas se distanciam de Deus ou criam resistência por causa de nós mesmos, cristãos que não aprenderam a amar, a olhar com cuidado, a não excluir em gestos, gestos que valem mais que palavras, a não excluir com olhares tortos, com abraços rápidos e gélidos demais, com respostas aguadas, com chatice de cristão besta kkkkkk. Então, esse é o meu recado de hoje, minha partilha sobre as coisas que Jesus tem me ensinado nas minhas mudanças de realidade. Se você chegou a ler até aqui meu MUITO OBRIGADA. Escolhi para indicar um livro chamado: “O amar não cansa, nem se cansa” do São João da Cruz e a música “Milagres” do Padre Fábio de Melo. Beijuuuus, resgatianos. E até a próxima.

Bruna Santana
Missionária da Comunidade Católica Resgate

Ruah

Olá, pessoal.

Eu sou uma jovem missionária da Resgate, tenho os poucos 20 anos de vida, até o momento e com algumas histórias com Jesus na bagagem. Beeeem-vindos a minha coluna!!! Então, B, mas, como vai ser isso aqui?? Qual é a ideia e porque eu deveria acompanhar as tuas loucuras? Então, vou começar explicando a partir do nome da coluna. O porquê eu escolhi o nome “Ruah” além de ter sido uma das coisas que mais me marcou na minha formação ministerial? Como a gente sabe Ruah significa sopro, vento, ar. Significa o sopro de Deus, aquilo que ele sopra em nós, que ele transmite para nós, mas, não é simplesmente por isso que eu escolhi esse nome, mas, porque há nessa palavra algo que eu acredito que será e já é a cara dessa coluna, que é a intimidade, no sentido de intimo, de dentro, sabemos que o sopro vem de dentro de Deus, isto é, vem das entranhas de Deus, da intimidade de Deus. E… Sendo reflexo desse Deus imenso, essa que vos fala e esse blog, tentarão trazer reflexões, opiniões, pensamentos, experiências do intimo, do cotidiano. Às vezes de forma descontraída, às vezes de forma mais contida, alguns mais curtinhos, outros mais longos, assim como sou.  Coisas que às vezes parecem simples e são, mas que carregam uma profundidade que a correria do dia a dia não nos deixa perceber ou extrair das nossas experiências mais simples, mais comuns. A gente vai refletir e pensar aqui sobre o dia a dia, sobre a nossa humanidade, sobre as coisas corriqueiras que nos acontecem e a gente para e puft o que eu faço agora? Ou algo tão simples quanto esperar na fila enorme de um banco e ali encontrar Deus. Eu quero trazer bastante coisa legal para vocês como poesia, filme, livro. Vamos encontrar Deus juntos nas coisas que a gente faz e gosta de fazer (e as que não gosta Tb). Vai ser uma coisa bem de humano para humano. Algo que saia de dentro, que tenha cheiro de humanidade, que tenha cheiro de realidade, mas, que seja igualmente capaz de transmitir o Amado através do nosso ser tão humano. Então, fica coladinho aqui na gente e aguarda qual vai ser o próximo tema que Bru vai vos trazer. Xeeeeirus, RESGATIANOS!

Bruna Santana
Missionária da Comunidade Católica Resgate

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