Ser cristão é ser principalmente autêntico

Ser cristão é ser principalmente, além de um seguidor; um imitador de Cristo. Isto consiste em não apenas segui-Lo, mas fazer o que Ele faz, fazer a Sua vontade, agir como Ele agiria nas diversas situações da vida. Jesus nos ensina: “Nem todo aquele que me diz Senhor! Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7, 21). Mas isso não é nada simples de acontecer verdadeiramente em nossa vida. Não é algo tão fácil de ser praticado nem mesmo pela criatura mais virtuosa que possa existir nesse mundo. Portanto, ser um imitador de Jesus Cristo, ou ainda mais simples: ser um cristão, requer uma experiência “verdadeira”, além de profunda, com o Renovador, o Curador, o Fortalecedor, o Santificador, o Consolador e abrigo das almas: o Espírito Santo!

Só o Espírito Santo poderá nos capacitar com todas as virtudes necessárias para que nos tornemos “imitadores de Cristo”. Para isso precisamos dar passos mais curtos no início do caminho, com o cuidado de quem caminha no desconhecido; até chegarmos à trilha que nos deixará mais seguros. Nenhum caminhante alcançará sucesso sem que procure antes de tudo, conhecer bem o caminho a seguir… Disse Jesus: “Eu Sou o Caminho”… Então já sabemos que o caminho é Jesus, é por Ele que queremos ir; é seguindo Jesus. Ele nos diz: “Eu Sou a Verdade”… Então, agora sabemos que Ele é a “Verdade”… Jesus diz: “Eu Sou a Vida”… (João 14, 6). Então, sabemos também que não haverá outro caminho, nem verdade ou vida fecundamente e “verdadeira” sem Jesus. Agora pergunto: O que fazer? Diremos como Pedro: “Senhor, estou pronto para seguir-te…”? (Lc 22, 33) E como tal sermos julgados pela nossa própria palavra, ou faremos como muitos outros: “Essa palavra é muito dura” (Jo 6, 60b)… E sermos livres para o mundo? Eu diria que, independente de qual resposta dermos a Deus perante o seu chamado; devemos ser “verdadeiros”! Quem vive uma vida dupla não conseguirá segui-Lo.

Jesus vem em socorro de todas as nossas fraquezas, Ele não veio para os são, mas para os doentes (Mc 2, 17). Porém Jesus abomina toda espécie de “mentira”. A mentira e a falsidade não unir-se a personalidade de um verdadeiro Cristão. Jesus censura os fariseus de sua época justamente por causa da hipocrisia que eles vivenciavam constantemente.

Diz a mitologia grega que denominava-se “hipócrita”, um certo escravo do império grego-romano que enfeitava-se de diversas roupas e máscaras, como um palhaço, para agradar o rei, fazê-lo rir e sentir prazer depois de alguma derrota de guerra. Ou seja, o papel deste palhaço (o hipócrita) era justamente enganar, iludir o rei diante de uma realidade inevitável. Por traz da máscara e roupas reluzentes do hipócrita havia um ser real que se escondia do medo e da reação inesperada do rei. O hipócrita (Palhaço) também não estava feliz com aquela situação, mas simplesmente estava sendo obrigado, porque era um “escravo”, submisso à lei e à ordem imperial! Moral da história; quem vive na hipocrisia é escravo da mentira e obedece ao pai da mentira (Jo 8, 44c); alimenta o seu próprio ego e das outras pessoas

Os fariseus que assediavam Jesus cheios de mentiras apenas enganavam-se a si mesmos, porque é impossível enganar a Deus! (Mt 23, 25). Muitas vezes fazemos o mesmo. Estamos quase sempre querendo agradar às pessoas, principalmente quando queremos tirar alguma vantagem nas coisas. Isto é funesto quando se refere a caminhar com Jesus, e um comportamento acima do absurdo para qualquer cristão. Impossível seguir a “verdade” se não formos autênticos e verdadeiros. Uma comunidade cristã só terá unidade em Cristo; “Cabeça da Igreja”, fecundando seus frutos na transparência e na verdade, fora disso será apenas um monteado de gente buscando um cristo que satisfaça seus “ego enganador”

Então, meu irmão, minha irmã, para que trilhemos um caminho que sabemos não ser tão fácil; iniciemos nossa caminhada com passos mais curtos, talvez mais simples, porém, sendo “verdadeiros”, “autênticos”. Diante de Filipe Natanael censurou a Jesus : “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”. Mas Jesus ao vê-lo exclamou: “Eis aí um verdadeiro Israelita” (Jo 1, 46-47). Esta linda e enigmática passagem nos mostra a afeição que Jesus tem por um coração sincero.

Procuremos desde já romper com esta tentação que nos rodeia e assedia para alimentar o nosso ego, como alguém que alimenta um animalzinho de estimação. Seja qual for a situação, não resistamos a um “não” quando for preciso, e “sim” quando melhor oportuno, porque tudo além disso vem do maligno; diz a Palavra! Aleluia! (Tg 5, 12).

Peçamos ao Espírito Santo essa graça; termos a firmeza dos primeiros Cristãos, de padecer, mas na verdade, de desagradar o mundo inteiro, mas agradar a Deus.

     “… falamos, não para agradar aos homens, e sim a Deus, que sonda os nossos corações” (1Tes 2, 4).

Antonio Alexandre

FACEBOOK: antonio.silva.resgate

 

Aprenda a rezar o “Terço do Amor”

Doce Coração de Jesus, sede meu amor! Doce Coração de Maria, sede minha salvação!

Irmã Consolata Betrone (1903-1946), religiosa capuchinha italiana, foi escolhida por Deus para confirmar ao mundo a doutrina do caminho de infância espiritual, já ensinado por Santa Teresinha do Menino Jesus, dando-lhe uma forma concreta e fácil de ser praticada por todos.

Jesus promete assim: cada vez que pronunciar-se este Ato de Amor: “Jesus, Maria, eu vos amo! Salvai as almas!”, uma alma será salva. E isso é sinal de caridade perfeita pela súplica constante em favor das almas, de todas as almas, as da Igreja militante, que somos nós, a caminho da casa do Pai, e as da Igreja padecente, as almas do purgatório.

Repetido a todo momento, em qualquer lugar, atrai uma chuva de graças particulares e, sobretudo, prepara Terços de um povo de fé, o triunfo da Misericórdia Divina nos corações humanos, qual novo Pentecostes em escala mundial.

Reze também:
.: Consagração da família ao Sagrado Coração
.: Terço da vitória pelo Sangue de Jesus
.: Terço: Mãe da Divina Misericórdia

“O Senhor deve, também, vir em nosso socorro na proporção das fadigas que aguentamos por causa do seu amor. E visto que, essas angústias são grandes, menores não devem ser as graças” (Santa Teresa de Jesus).

Jesus, Maria, eu vos amo! Salvai as almas!

No início, reza-se:
Pai-Nosso, Ave-Maria, Credo.

Na contas do Pai-Nosso, reza-se:
Doce Coração de Jesus, sede meu amor!
Doce Coração de Maria, sede minha salvação!

Nas contas da Ave-Maria, reza-se:
Jesus, Maria, eu vos amo! Salvai as almas!

No final do terço, reza-se:
Sagrado Coração de Jesus, fazei que eu Vos ame cada vez mais (3 vezes).

 

Aprender do Amor em tempos de ódio

“O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque” (Madre Teresa de Calcutá)

O amor não é uma ingenuidade de principiante, o amor não é um sonho dos que se machucaram pouco, dos que ainda não viveram o suficiente para tocar a realidade e as frustrações típicas dos relacionamentos humanos. O amor não é idealização dos que receberam pouca ingratidão, dos caminhantes de início, dos que ainda têm poucos band-aids nas costas. Em muito tendemos a achar que o amor não é a solução diante de tantas experiências negativas, diante de todos os nossos esforços de sermos melhores no amor sendo jogados no lixo com ingratidão, o quanto muitos nos viram a cara, se afastam por tentarmos ajudá-los, exortá-los.. A realidade é que é óbvio que muitos saem da igreja por não saberem lidar com as repreensões e com as críticas, sabemos que muitos são ariscos com as correções. Mas, é nesse momento que ponho-me a fazer um exercício reflexivo, o que seria de nós se Deus desistisse de nos amar? O que seria de nós se Deus desistisse da sua essência que é o amor? (1jo 4,8). Eu sei o quanto parecemos ingênuos, idealizadores, sonhadores quando insistimos nessa palavra. Mas, é ela o tempero da nossa vida. O que nos falta é compreender e chegar a apreensão do amor maduro, deixando de lado as doces ilusões do amor romântico. É saber que o amor é uma mão de vias, é preciso fermentar o amor não só de quem repreende, mas, o amor de quem escuta. “Tudo o que fizerdes, fazei-o com base no amor”, o diálogo é estabelecido quando há amor em quem fala e amor em quem escuta. Basta olharmos para o amor com o qual acolhemos os conselhos, as correções do Senhor, é sempre como aquele que acolhe uma realidade de ser melhor. O amor de quem repreende não se estabelece em plenitude sem o amor de quem ouve. Nem penses que o amor é alienado, o amor não é um seguimento cego, pois isso inviabilizaria que fôssemos instrumentos de edificação para o outro, o amor cego, que com tudo concorda de nada serve, pois não está atento, não auxilia no crescimento espiritual e pessoal, principalmente quando o catecismo nos diz que fomos criados em estado de caminhada (CIC, §302); caminhada pressupõe desacertos momentâneos e irmãos que nos ajudem a encontrar o caminho, independente de quanto você já percorreu, existem lugares desconhecidos para todos. Assim, nunca desista do amor, nem de construí-lo de forma madura, apenas porque muitos não amaram na escuta, no respeito à disponibilidade do outro. Nunca desista do amor por se deparar com ingratidões, nem no primeiro erro do irmão ou seu. Também ponho-me a fazer essa reflexão junto com todos que estão lendo nesse momento, pois sou a primeira a mais precisar aprender. E que, sobretudo, não nos acostumemos a cultura de ódio como um sapo dentro de uma panela que ferve paulatinamente, pois, estaremos caminhando para o fim. É preciso que tenhamos os olhos voltados para o amor. E só é possível amar reconhecendo-nos humanos para compreender a humanidade do outro e amá-lo nela.
Minha sugestão de hoje: Leia sobre a vida de São Pedro e busque nela em quais momentos ele aprendeu a amar. Um beijo, meus amores.

Bruna Santana – Missionária da Comunidade Católica Resgate e Psicóloga em formação

Qual a missão dos Anjos?

“Os anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer também diante de Deus os nossos pensamentos… Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos”. Porventura, não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação? (Hb 1,14). Os anjos estão presentes desde a criação do mundo (cf. Jó 38,7); são eles que fecham o paraíso terrestre (Gn 3,24); protegem Lot (Gen 19); salvam Agar e seu filho (Gen 21,17); seguram a mão de Abraão para não imolar Isaac (Gen 22,11); a Lei é comunicada a Moisés e ao povo por ministério deles (At 7,53); são eles que conduzem o povo de Deus (Ex 23, 20-23); eles anunciam nascimentos célebres (Jz 13); indicam vocações importantes (Jz 6, 11-24; Is 6,6); são eles que assistem aos profetas (1 Rs 19,5). Nos Evangelhos eles aparecem na infância de Jesus, nas tentações do deserto, na consolação do Getsêmani; são testemunhas da Ressurreição do Senhor, assistem a Igreja que nasce e os Apóstolos, enfim… prepararão o Juízo Final e separarão os bons dos maus. Toda a vida de Jesus foi cercada da adoração e do serviço dos Anjos. Desde a Encarnação até a Ascensão eles o acompanharam.

     A Sagrada Escritura diz que quando Deus introduziu o Primogênito no mundo, diz: “Adorem-no todos os Anjos de Deus” (Hb 1,6). Até hoje a Igreja continua a repetir o canto de louvor que eles entoaram quando Jesus nasceu: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina” (Lc 2, 14). São eles que protegem Jesus na infância (Mt 1, 20; 2, 13.19); são eles que servem Jesus no deserto (Mc 1,12); o reconfortam na agonia mortal (Lc 22, 43); eles o poderiam salvar das mãos dos malfeitores se assim Jesus quisesse (Mt 26, 53).

Da mesma forma que os anjos acompanharam a vida de Jesus, acompanharam também a vida da Igreja, e a beneficia com a sua ajuda poderosa e misteriosa (At 5, 18-20; 8,26-29; 10,3-8; 12,6-11; 27,23-25). Eles abrem as portas da prisão (At 5, 19); encorajam Paulo (At 27,23 s); levam Filipe ao carro do etíope (At 8,26s), etc. São Paulo acentua a subordinação dos anjos a Cristo vitorioso sobre o pecado e a morte (Hb 1,7-14; Ef 1, 21; Cl 2, 3). Na Festa dos Santos Arcanjos, a Igreja reza ao Senhor assim: “Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos anjos e dos homens, fazei sejamos protegidos na terra por aqueles que vos servem no céu. (Oração do dia). O Catecismo nos ensina que: “Ainda aqui na terra, a vida cristã participa, na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus” (§336). “Quando o Filho do Homem vier na sua glória com todos os seus anjos…” (Mt 25,31).

     Ministros da Liturgia celeste

No Apocalipse os Anjos aparecem como ministros da liturgia celeste, oferecendo a Deus a oração dos justos. “Na minha visão ouvi também ao redor do trono, dos Animais e dos anciãos, a voz de muitos anjos, e número de miríades de miríades e de milhares de milhares bradando em alta voz: Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor” (Ap 5, 11). “Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo, e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está diante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus” (Ap 8,2-5).

Na Liturgia a Igreja se associa a eles para adorar o Deus três vezes Santo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo…”. Na despedida dos defuntos a Igreja roga: “Para o Paraíso te levem os anjos”.

Na Festa dos Santos Arcanjos a Igreja ora assim: “Nós vos apresentamos, ó Deus, com nossas humildes preces, estas oferendas de louvor; fazei que levados pelos anjos à vossa presença, sejam recebidas com agrado e obtenham para nós a salvação” (Sobre as oferendas).

     Prof. Felipe Aquino (Com. Canção Nova)

Leia também: Quem são os Anjos?

Os anjos sabem o que se passa em nosso interior?

Onde estão os anjos na Liturgia da Igreja?

Qual a diferença entre anjos e arcanjos?

Podemos relacionar-nos com os anjos?

Uma curiosidade sobre os Anjos

A existência dos Anjos

O que é a verdade?

     Pilatos indagou Jesus: “O que é a verdade” (João 18, 38), porém a “verdade” estava à sua frente, mas ele não conseguia enxergar. Disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6). É preciso primeiramente conhecer a “Verdade” e não simplesmente saber sobre ela. Claro que isso consiste em praticar a “verdade”, por isso, independentemente de como enxergamos ou não enxergamos a “verdade”, ela não mudará, ela não deixará de ser a “verdade”: Jesus é a “verdade”!
     Vivemos numa era em que muitas pessoas procuram a verdade em diversos lugares, coisas ou pessoas, construindo um relativismo em si mesmas. O relativismo não é a verdade, eu não a tenho por mim, nem em mim mesmo, você não a tem, ninguém a tem, quem achar que tem está enganando a si mesmo e caindo na armadilha da mentira, isto é óbvio, e se disser que a tem está enganando aos outros. Eu tenho minha opinião, você tem a sua, o outro também tem. Devemos respeitar a opinião de cada um mas não somos obrigados a concordar. Mas onde buscaremos finalmente uma definição para a “verdade”? Antes perguntemos a nós mesmos: Onde está o meu coração? Qual o real desejo do meu coração? Procuro a “verdade” ou quero eu mesmo construí-la? (Mateus 6, 21).
     Na velocidade das informações em que nos circundam nesse mundo moderno, temos que ter muito cuidado com as “opiniões”, elas dão origem ao “relativismo” significando que cada pessoa pode ter a sua “verdade”. Cuidado com o pai da mentira, ele só quer enganar, roubar, matar e destruir (João 8, 44; 10, 10).
     Eu sou um grande pecador, todos sabem disso. Sabemos que pecamos porque erramos muitas vezes contra Deus e contra o próximo, mas preciso dizer também que procuro a “verdade” todos os dias para praticá-la, e já deu para perceber de mais onde a procuro e busco. Sou cristão, e como tal não devo procurar em outros lugares porque sei que não a encontrarei. É nas palavras de Jesus que encontraremos a “verdade” e a vida. E como pecador que crer eu não desisto, porque ouço a sua voz a me chamar a “verdade” (Marcos 2, 17). A verdade está em Cristo Jesus. Ele é a verdade. Ninguém fora Ele é a verdade e sem Ele não há verdade nem vida.
       Paz a todos, na verdade!
         Antonio Alexandre (Missionário)
         E-MAIL: aasilva09@gmail.com

A LIBERDADE DE DIZERMOS AINDA NÃO.

 

  1. “A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano” (Clarice Lispector)

Se eu fosse pensar o cenário das nossas ultimas conversas juntos aqui na coluna com certeza seria uma serie sobre como reconhecer-nos humanos. Está nas mãos do Eterno se esse será ou não o ultimo texto do que poderíamos chamar serie “Humanidades” e se iniciaremos uma deliciosa partida para outros temas. Jesus tem ministrado muito na minha vida através dessa palavra: Humanidade. Ele tem ministrado na minha vida através da vivência da minha humanidade. Confesso a vocês que não tem sido fácil lidar com tudo que há em mim e com toda a quebra de expectativas externas, mas, há a fé inefável de que Ele está me levando para um bom lugar. Lembro-me de há alguns anos o nosso fundador da Resgate profetizando para mim o quanto eu era um diamante bruto e o quanto eu iria ser lapidada e provada no fogo e o quanto essas marteladas de lapidação iriam doer, mas, no final, uma bela peça estaria sendo formada. E eu vejo isso acontecer hoje e vejo o quanto Deus tem algo me esperando lá na frente, sabe? (É engraçado quando a gente começa a profetizar na nossa própria vida, eu sei, mas isso deveria acontecer mais vezes, sabia? Porque tu é dEle, não esquece). E Jesus tem presenciado o Seu agir na minha trajetória também através de meios humanos. Através de amigos, de contas de missionários no instagram e no quanto os stories de cada um fala sobre permanência e sobre a perseverança deles enfrentando tudo aquilo que eu também estou passando, através de circunstâncias, de sentimentos e da terapia. Sim, sou missionária. Sim, prego a palavra. E, sim, faço terapia. Uma coisa não exclui a outra. Existem em nós questões espirituais das quais necessitamos da ajuda de um diretor espiritual: um missionário experiente que já está acostumado a direcionar, um padre, diácono e afins. E existem, obviamente, as nossas questões psicológicas que implicam nossos pensamentos, formas de agir, nossas convicções e construções mentais, muita coisa que está cristalizada em nós desde a nossa infância, dos contextos que crescemos; e que, muitas vezes, nos impregnam de inseguranças, medos, traumas que nos impedem de dar passos mais largos na vida que escolhemos viver e no meio disso tudo necessitamos da ajuda de um profissional da área que compreenda todas essas questões, processos e estruturações da nossa mente. Isso não é tirar de Deus o poder dEle de fazer todas as coisas na nossa vida, de nos curar e tudo isso, mas, o contrário, é saber que Ele vai usar de muitos meios para demonstrar o cuidado dEle na tua existência, porque nEle nos movemos, vivemos e somos (At 17, 28-30) e todo o universo fala de Deus.  O exercício do meu ministério como pregadora da palavra e do ministério pessoal que sou eu para Deus me despertou a necessidade de trabalhar em mim algumas dessas coisas que interferiam no meu “dar o melhor para Deus, pela missão e por mim”, como a insegurança, o medo da exposição, das criticas, das expectativas que construíram sobre mim, etc. Sim, se vocês notaram bem eu falei “ministério pessoal que sou eu para Deus”, porque nós somos ministérios vivos de um Deus vivo. Precisamos cuidar dessa casa, da preciosidade e do instrumento que nós somos para Deus. É interessante o quanto dizemos que somos morada do Eterno, que somos sacrários vivos e esquecemos tanto de cuidar desse sacrário.

Quando nós percebemos a bagunça que está habitando dentro desse ministério, a gente se incomoda, sabe? Porque o Espírito Santo é ordem, é ordenador. E quando vamos desvendar de onde veio toda essa desordem, percebemos que não conseguimos organizar a bagunça porque estamos presos em muitos lugares, em muitos “algos”, estamos reféns, escravizados por muitas coisas. Então, começa a surgir na nossa alma o desejo de liberdade. Em algum momento até podemos confundir essa liberdade com a liberdade de fazer qualquer coisa, de não ter limites, de não ter dono, de não ter regras. Mas, a liberdade que falo aqui é uma liberdade que vai além, é uma liberdade de reconhecer que ainda não. Como assim? É porque nós quando assumimos um lugar de cristão ou de qualquer outra coisa na vida, nós criamos um ideário voltado à perfeição e muitas vezes as pessoas criam e nós mesmos criamos imagens de nós, baseada em fragmentos, que excede quem somos, e nós nos sentimos na obrigação de a todo custo corresponder aquela imagem e nos abstemos, na maioria dessas vezes, de quem verdadeiramente somos, pelo medo de não sermos mais amados com a mesma intensidade, medo de sermos deixados de lado e retirarem de nós tudo aquilo que nos confiaram. Ficamos presos em sempre agradar e sempre corresponder às expectativas. As pessoas criam e nós mesmos também criamos imagens negativas ou positivas de nós mesmos, mas, não podemos – de forma alguma – ficar presos a nenhuma dessas representações. Vou contar a vocês minha experiência para que fique mais palpável ao entendimento.  Por muito tempo as pessoas se acostumaram com uma imagem minha de meiga, fofa, “perfeitinha” e elas, em algum grau, esperavam de mim isso, por muito tempo o meu ego foi acariciado por essas imagens, até ficar difícil suportar, principalmente quando comecei a sair da adolescência para a idade adulta (jovem-adulta), quando se tornou sacrificante e angustiante mostrar-me em uma imagem tão livre de maculas, pois, as fases de transição nos reservam a mostra de nossa fragilidade, é quando estamos nos deparando com inúmeras situações novas e ainda estamos aprendendo a lidar com tudo. Precisei então tomar as rédeas do meu processo e dizer para muitas pessoas e para mim mesma que AINDA NÃO. Ainda não sou santa (e como estou distante…), que ainda não conclui meu processo, que ainda não sou tudo aquilo que é projeto de Deus na minha história. Que ainda estou em caminhada. Que ainda estou em construção. Que ainda estou aprendendo. Assumi as rédeas de assumir para o mundo as minhas verdades, que Deus ainda está trabalhando em mim. Que muitas vezes ainda fraquejo no ardor da oração e da leitura da palavra. Que eu não preciso ser meiga o tempo inteiro. Que existe uma versão inteira dessa menina aqui que inclui positividades e negatividades, mas, nunca exclusivamente uma ou exclusivamente outra. Mas também não permita que te façam acreditar que tu é inútil, que tu se reduz aos teus defeitos, que tu não é tão bom, muito menos capaz. Liberdade é a graça de ser em Deus longe dessas cadeias, de viver as suas nuances, as suas faces diante de Deus sem precisar ser pela obrigação de manter alguém ao seu lado, sem medo de perder algo. Porque tudo o que Deus te der para ser teu, para fazeres, para ser responsável, para ser ministro dEle, vai independer de tudo isso, vai independer se te “veneram” ou se não vão com a tua cara, se gostam ou se não gostam do teu jeito de ser, se concordam ou discordam das tuas atitudes. Os projetos de Deus independem disso, por isso, não deixe de servir. O serviço a Deus não depende do que pensam a teu respeito, “veja você que, no final das contas é entre Você e Deus e não entre você e os homens” (Madre Teresa de Calcutá). Por isso, assumir nossa humanidade em Deus, sem esconder nada do que existe dentro de nós e que está em processo, é romper com cadeias. E isso, é a maior liberdade que o homem anseia em seu interior. A liberdade de só ser. Se alguma pessoa pode sair da tua história porque você é quem você é, saiba que ela não precisa ficar. Deus encontrará os caminhos certos para ela. Também não permita que permaneçam pessoas que te impedem de ser quem você é de verdade, que te fazem se sentir culpado por você ser quem é. Porque Jesus não é assim. Ele vai te ajudar a alcançar a melhor versão de ti, mas, sem jamais te fazer sentir pesado e angustiado por ser você. A lição que fica hoje é que o mínimo que pudermos criar de imagens das pessoas que habitam ao nosso redor seria algo muito muito muito massa, porque podemos estar as escravizando sem perceber, achando que estamos cuidando, protegendo, contribuindo. Que o Senhor sempre nos dê muita sabedoria e discernimento para cultivar a nós mesmos e as nossas relações.

Muitas vezes, as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto e franco assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja, Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja que, no final das contas, é entre você e Deus e não entre você e os homens.

(Madre Teresa de Calcutá)

Paz e bem, Resgatianos. Beijos da Bru :*

Bruna Santana
Missionária Comunidade Resgate