Sete dicas para rezar frutuosamente o rosário segundo João Paulo II

Rezar o rosário requer dedicação

Desde a juventude, a oração do rosário teve um lugar importante na vida de São João Paulo II. Ele mesmo testemunha: “O Rosário me acompanhou nos momentos de alegria e provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto”. A oração predileta de São João Paulo foi o Rosário.

Na sua encíclica, o Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), ele mostra que essa oração simples e profunda do rosário tem grande significado, além de gerar frutos de santidade, pois, ainda que sua característica seja mariana, no seu âmago é uma oração cristológica. Assim, para melhor contemplarmos o rosto de Cristo com Maria, vejamos algumas dicas que o próprio santo nos apresenta em sua encíclica, para melhor rezarmos o rosário:

1- Ritmo tranquilo e uma certa demora para pensar no mistério

Muitas pessoas rezam o terço com pressa, agitadas, impacientes, ou seja, deixam o reflexo do mundo imediatista tomar conta dessa oração. O rosário é uma contemplativa, requer um ritmo tranquilo das orações e reflexão sobre cada mistério que se está rezando. Cada mistério bem meditado ilumina o mistério do homem.

2- Pode-se fixar um ícone ou outro elemento visível e figurativo

Enunciar o mistério com a possibilidade de fixar um ícone ou outro elemento visível e figurativo que o represente é como abrir um cenário sobre o qual se concentra a atenção. Facilita-se a concentração do espírito no mistério, principalmente quando o Rosário é recitado em momentos particulares de prolongado silêncio.

3- Ler uma passagem bíblica

Para dar fundamentação bíblica e profundidade à meditação, é útil que a enunciação do mistério seja acompanhada pela proclamação de uma passagem bíblica alusiva, que, segundo as circunstâncias, pode ser mais ou menos longa. Isso ajuda a ouvir a voz de Deus e, até em determinadas ocasiões, essa passagem bíblica pode vir com um comentário posterior.

4- Silenciar

Após a enunciação do mistério e a proclamação da Palavra, é conveniente parar um tempo e fixar o olhar sobre o mistério meditado, antes de começar a oração vocal.

5- Realçar o nome de Cristo, acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério

Acrescentar ao nome de Jesus uma cláusula evocativa do mistério intensifica a fé cristólogica, sobretudo na recitação pública. Por exemplo, se contemplamos o mistério do nascimento de Jesus, podemos rezar: “Ave Maria… fruto do vosso ventre Jesus”, “que nasceu em Belém”. Santa Maria… Em cada mistério que se contempla acrescenta-se uma cláusula para ajudar na meditação.

6- Destacar o “Glória”

A glorificação trinitária de cada dezena é o apogeu da contemplação, pois estamos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas para as louvar, adorar e agradecer. Na recitação pública, pode-se cantar para dar maior destaque ao “Glória”.

7- Terminar cada um dos mistérios com uma oração

Dessa maneira, a contemplação dos mistérios poderá manifestar melhor toda a sua fecundidade, uma vez que ela terá maior ligação com a vida cristã e se obtém os frutos específicos da meditação desse mistério. São João Paulo ensina que percorrer com Maria as cenas do Rosário é como frequentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender sua mensagem. Dentre todos os seres humanos, ninguém como ela conhece melhor Cristo. Portanto, torna-se necessário rezar adequadamente o rosário, pois assim Cristo é formado no discípulo plenamente.

Como rezar o terço?

Papa São João Paulo II dedicou uma encíclica ao Santo Terço. Nela, o Santo Padre afirma:

“O Rosário coloca-se ao serviço do ideal de que, pela fé, Jesus habita os corações, oferecendo o ‘segredo’ para abrir-se mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria, o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de fé, silêncio e escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga Cristo a Sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo fato de ela viver d’Ele e para Ele. Na Ave-Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo, em Maria, nos seus braços e no seu coração, o fruto bendito do seu ventre (cf. Lc 1,42)” – Trecho da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, do Sumo Pontífice São João Paulo II.

Entenda como rezar o terço

Inicie: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Em seguida, reza-se a oração do Creio e do Pai-Nosso, três Ave-Marias e o Glória ao Pai.

Depois de realizadas essas orações, contempla-se, antes de cada dezena, o mistério do Terço rezado naquele dia.

Segundo a prática corrente na Igreja:

  • As segundas-feiras e os sábados são dedicados aos mistérios da alegria – “gozosos”:

1º mistério: Anunciação do anjo a Maria;
2º mistério: Visitação de Maria a Santa Isabel;
3º mistério: Nascimento do Menino Deus;
4º mistério: Apresentação de Jesus no Templo;
5º mistério: Perda e encontro de Jesus.

  • As terças e sextas-feiras são dedicadas aos “mistérios da dor”:

1º mistério: Oração e agonia de Jesus no Getsémani;
2º mistério: Flagelação de Cristo;
3º mistério: A coroação de espinhos;
4º mistério: A subida ao Calvário;
5º mistério: A morte na cruz.

  • As quarta-feiras e os domingos são dedicados aos “mistérios da glória”:

1º mistério: Ressurreição do Senhor;
2º mistério: A ascensão de Jesus;
3º mistério: Pentecostes – A vinda do Espírito sobre Maria e os apóstolos;
4º mistério: Maria assunta aos céus;
5º mistério: Maria coroada Rainha dos anjos e dos santos.

  • A quinta-feira é dedicada aos “mistérios da luz”.

1º mistério: Batismo de Jesus no Jordão;
2º mistério: Milagre de Jesus nas bodas de Caná;
3º mistério: Anúncio do Reino de Deus com um convite à conversão;
4º mistério: Transfiguração do Senhor;
5º mistério: Instituição da Eucaristia.

Depois de contemplar o mistério referente à dezena rezada, recita-se um Pai-Nosso e dez Ave-Marias.

Finaliza-se o Santo Terço com a Oração da Salve-Rainha.

Abaixo seguem as orações do Santo Terço:

Creio

Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, Seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai-Nosso

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas nos livrai do mal. Amém.

Ave-Maria

Ave-Maria, cheia de graça! O Senhor é convosco e bendita sois vós entre as mulheres. Bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Glória ao Pai

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Leia mais:
::Orações: de bênção, do jovem e à saúde das crianças
::Oração das mães por seus filhos
::Orações para a cura espiritual e quebra dos laços do mal
::Terço do amor

Salve Rainha

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degradados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce sempre Virgem Maria! Rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

“À luz da própria Ave-Maria, bem entendida, nota-se claramente que o carácter mariano não só não se opõe ao cristológico como até o sublinha e exalta” (Rosarium Virginis Mariae).

Formação Canção Nova

O Tempo Quaresmal favorece o nosso autoconhecimento

No tempo da Quaresma, a Igreja nos propõe gestos concretos que favorecem o nosso autoconhecimento
Sócrates, filósofo grego da Antiguidade, encantou-se com a convocação “Conhece-te a ti mesmo” inscrita na entrada do Templo de Delfos, em Atenas. O dizer é considerado um aforismo, ou seja, um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência. Nesse caso, parece ser um princípio e uma advertência importantes também para os homens e as mulheres do mundo atribulado de hoje. De fato, o autoconhecimento tem sido tema de muitos cursos não somente na área da filosofia, da psicologia ou de outras disciplinas das chamadas “humanas”, mas também executivos, administradores, economistas, vendedores e outros profissionais têm descoberto aquilo que encantou Sócrates.

É essencial conhecermos a nós mesmos e termos sempre os pés no chão de nossa história, de nossas vivências da infância, da adolescência, observando nossa personalidade e nossas características próprias, as quais nos fazem ser quem somos. Para tanto, precisamos olhar para nós mesmos e buscarmos compreender nossos sentimentos, nosso modo de nos relacionarmos com as pessoas, com Deus, nossas características positivas (virtudes) e negativas (vícios, limites).

Quem conhece a si mesmo adquire uma segurança interior e uma estabilidade maior, que lhe possibilitam elementos sólidos de lidar bem com as eventualidades da vida, com os sofrimentos, com aquilo que não nos agrada. No tempo da Quaresma, a Igreja nos propõe três gestos concretos que favorecem o nosso autoconhecimento: a Oração, a Esmola e o Jejum.

A oração é um meio eficaz de nos aproximarmos de Deus, descobrirmos n’Ele o Absoluto de nossa vida, e n’Ele encontrarmos o nosso verdadeiro “eu”. A esmola é um ato concreto que demonstra o nosso desejo de nos comprometermos com a vida daqueles que sofrem, dos excluídos e, ao mesmo tempo, do desejo de nos apegarmos, cada vez mais, aos bens perenes. O jejum, por sua vez, é uma atitude que recorda o nosso desejo de termos o domínio sobre os nossos próprios desejos interiores, mantendo o equilíbrio sobre nós mesmos.

Esses três gestos (muito práticos) fazem com que nos exercitemos em conhecer a nós mesmos. A partir deles (embora sejam gestos singelos e simples), podemos aprofundar o nosso modo de nos relacionarmos conosco, com os outros e com Deus. Para nós cristãos, conhecer a nós mesmos é, antes de tudo, reconhecer a primazia de Deus na nossa vida, reconhecer n’Ele nossa origem e para onde caminhamos. Conhecer a nós mesmos é saber que não estamos sozinhos e precisamos nos comprometer com as demais pessoas, principalmente com aqueles que mais sofrem, a quem devemos ser solidários.

Por fim, é possível afirmar que o “Conhece-te a ti mesmo” que inquietou e encantou Sócrates também encantou a Igreja e deve nos encantar. Que utilizemos os meios recomendados pela Igreja, sábia Mãe e Mestra, para conhecermos melhor a nós mesmos e, assim, caminharmos cada vez mais serenos rumo à plenitude, à felicidade pensada por Deus para cada um de nós.

Pe. Josimar Baggio, scj.

Fonte: Site Canção Nova

Não faça desta Quaresma apenas mais uma em sua vida

A Quaresma é um período de luta contra satanás
“Concedei-nos, ó Deus Todo-poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma, para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal”.

A linda oração que abre este artigo trata-se de uma súplica entoada por toda a Igreja por ocasião da cerimônia de imposição das cinzas na Quarta-feira de Cinzas. Ela pode ser encontrada tanto no Missal quanto no Breviário Romano, e apresenta com singular clareza a tonalidade geral do Tempo Quaresmal: período de combate “contra o espírito do mal”. Assim, a Quaresma pode ser concebida como a etapa, por excelência, de luta contra os espíritos malignos.

Se recorrermos à Palavra de Deus, perceberemos que, após o batismo de Jesus e antes de sua vida pública, Jesus se retirou para o deserto e lá permaneceu por quarenta dias inteiros (cf. Mt 3;4). Sua permanência no deserto de nada possui um sentido de passividade, pelo contrário, lá, Jesus aniquilou todas as investidas do diabo. Ele jejuou, orou, combateu e triunfou sobre o mal. Com o seu exemplo, mostrou àqueles que seriam seus seguidores, o modo de combater. Por isso, durante a Quaresma, com todo esmero, devemos observar a prática do jejum e a luta cotidiana contra o diabo que se manifesta, dia e noite, por meio das tentações: pensamentos maldosos, momentos de raiva, julgamentos, maledicências (…).

Como surgiu o período quaresmal?
Desde os primeiros séculos do cristianismo, havia o costume de se fazer um curto período de jejum antes da Solenidade da Páscoa com um sentido de preparação para essa significativa celebração cristã. Aos poucos, esse curto período de tempo foi se estendendo e deu origem ao período da Quaresma como se tem hoje.

Esse tempo privilegiado da Quaresma se estende por cinco semanas. Inicia-se na Quarta-feira de Cinzas e encerra-se na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor (exclusive). O número de dias da Quaresma não se relaciona apenas com os 40 dias que Jesus esteve no deserto. É associado também a muitas outras passagens bíblicas como os 40 dias e as 40 noites do dilúvio (cf. Gn 7, 12); os anos em que o povo hebreu perambulou no deserto (cf. Nm 14, 33) dentre muitas outras passagens.

Tempo de sobriedade e de exercícios espirituais
Durante todo o período quaresmal, a Igreja, pedagogicamente, incentiva a sobriedade. Basta notar a ornamentação dos espaços litúrgicos. Evitam-se as flores coloridas e melodias musicais extravagantes. Ao contrário, incentiva-se o silêncio que deve ser continuamente exercitado e resgatado em tempos de extremos ruídos. Esse silêncio exterior deve ajudar o fiel a encontrar-se com Deus e consigo mesmo. Silêncio considerado até mesmo ascético para o homem moderno, tão acostumado ao barulho. Silêncio que propicia a contemplação.

Assim como todas as sextas-feiras do ano, a Quaresma é um período próprio para os exercícios espirituais. Tempo de penitência, privações voluntárias como o jejum e a esmola; abstinências e outras formas de mortificação; orações, leitura e meditação das escrituras. Período, acima de tudo, para exercitar a caridade (cf. CIC 1438).

Todos esses importantes exercícios espirituais não devem ser vistos como um peso, senão, como um extraordinário meio de purificação. Eles auxiliam os fiéis a recordarem que o pecado traz gravíssimas consequências para todo o Corpo Místico de Cristo, sendo assim, um período propício para detestar o pecado e levar a todos às obras de misericórdia, ao Sacramento da Reconciliação e à Eucaristia.

Em suma, durante a Quaresma, cada fiel, na intenção da Igreja, deve aproximar-se um pouco mais daquele tipo de vida cristã mais perfeita, experimentada pelos ascetas e pelos santos. Não viva, caríssimo internauta, esse tempo de qualquer maneira. Que esta não seja apenas mais uma Quaresma de nossas vidas.

Para concluir este artigo, gostaria de deixar uma estrofe de um Hino rezado por toda a Igreja nesse Tempo Quaresmal durante o ofício das leituras dos dias de semana:

Agora é tempo favorável,
divino dom da Providência
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

Deus abençoe você e até a próxima!

Gleidson Carvalho
Fonte: Site Canção Nova

É tempo de fazer uma revisão interior

Deus nos convida a fazer uma revisão e a mudar muitas coisas em nossa vida
Esses dias, arrumando meu quarto, fiquei com preguiça de desencostar da parede um armário de roupas para eu poder limpar atrás dele, mas logo me veio no coração que, atrás dele, mesmo estando bem encostado na parede, poderia ter muita sujeira. Então, resolvi desencostá-lo da parede para verificar. E não é que, para minha maior surpresa, tinha muita sujeira mesmo! Acho até que, se juntasse a sujeira de todo o quarto, não daria o tanto que estava atrás daquele armário. Esse é um fato muito comum em nossa faxina do dia a dia, mas Deus me falou muito com isso, principalmente neste tempo de Quaresma, quando Ele nos convida a fazer uma revisão e a mudar muitas coisas em nossa vida.

Deus colocava em meu coração que, muitas vezes, nos acomodamos com o que estamos vivendo, ou seja, não damos passos para crescer, para mudar de vida, para sairmos da mesmice que vivemos. Ficamos, com isso, estagnados em nosso processo de crescimento pessoal e espiritual.

Outra coisa importante é que muitas coisas estão amarradas em nossa vida, não avançam, não progridem, pois não buscamos retirar as sujeiras, os entraves e os entulhos das áreas mais escondidas do nosso coração, ou seja, aquelas áreas que mais relutamos em deixar Deus tocar, mesmo sabendo que Ele, sendo Onisciente, sabe de todas as coisas, vê todas as coisas e nada lhe fica oculto. Mas porque Deus também é amor e respeita nossa liberdade, quando nos decidirmos a não O deixar visitar essas áreas de nosso coração, Ele respeita nossa decisão.

Termino esta minha partilha com vocês dizendo que, se nós não temos a disposição de mudar nosso exterior, nunca mudaremos nosso interior. Por isso, meditemos um pouco sobre como anda o exterior de nossa vida, com tudo o que comporta nosso exterior, ou seja, nossa aparência, nosso sorriso, nosso olhar, nossas atitudes e até a maneira como organizamos nossos pertences pessoais, pois Dom Bosco sempre dizia que o interior de um guarda-roupa reflete como anda o interior de nosso coração.

Na certeza de que nosso exterior reflete o nosso interior, façamos à luz do Espírito Santo, que ilumina todas as trevas em nossa vida, uma boa revisão de vida.

Deus o abençoe!

Fabrício Pegoraro
Fonte: Site Canção Nova

O que é o Pecado?

O grande Agostinho de Hipona dizia que “o mal consiste em abusar do bem”, e ainda: “O pecado é o motivo da tua tristeza. Deixa a santidade ser o motivo da tua alegria”.

O Catecismo começa dizendo que:

“O pecado é uma falta contra a razão, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens” (CIC §1849).

Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, viam-no como uma “desordem”, e diziam que é “uma palavra, um ato ou um desejo contra a lei eterna” (Faust. 22; S.Th.1-2,71,6).

Ainda para Santo Agostinho ele é fruto do “amor de si mesmo até o desprezo de Deus” (Civita Dei 14,21).

Jesus ensina que a raiz do pecado está no coração do homem:

“Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassinatos, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São estas coisas que tornam o homem impuro” (Mt 15,19-20).

Segundo a sua gravidade, a Igreja classifica os pecados em veniais e mortais, seguindo a sua própria Tradição.

O pecado mortal leva o pecador a perder o “estado de graça”, isto é, a “graça santificante”. O Catecismo afirma que:

“Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso” (§1861).

O Catecismo ainda ensina que “o pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus, desvia o homem de Deus, que é seu fim último e bem- aventurança, preferindo um bem inferior”.

São Tomás de Aquino assim explica:

“Quando a vontade se volta para uma coisa de per si contrária à caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria para ser mortal… quer seja contra o amor a Deus, como a blasfêmia, o perjúrio, etc., ou contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério, etc. Por outro lado, quando a vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem, mas não é contrário ao amor a Deus, e ao próximo, como por exemplo palavra ociosa…tais pecados são veniais” (S. Th. 1,2,88,2; CIC §1856).

É bom notar que para haver o pecado mortal é preciso que a pessoa queira deliberadamente, isto é, sabendo e querendo, uma coisa gravemente contrária à lei de Deus e ao fim último do homem.

Portanto, para que haja pecado mortal deve haver pleno conhecimento e consentimento; e quem peca deve saber e deve ter consciência do caráter pecaminoso do ato a praticar, e de sua ofensa à Lei de Deus.

A ignorância involuntária, isto é, aquela que a pessoa não tem culpa, pode diminuir ou até eliminar a culpa diante de uma falta mesmo grave, mas é bom lembrar que Deus imprimiu nas consciências dos homens, a Lei natural, isto é, os princípios da moral. (cf. CIC §1860). A Igreja reconhece que os movimentos da sensibilidade da pessoa, bem como o mecanismo das paixões, as pressões exteriores, as perturbações patológicas, etc., em certos casos, podem, diminuir o caráter voluntário e livre do pecado cometido, e consequentemente a sua culpa (cf. CIC §1860).

O Catecismo lembra que:

“O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave” (§1860).

Acontece a malícia quando há uma intenção maldosa, uma “exploração do mal”, por sagacidade, sátira, comércio, etc. É diferente o pecado daquele que sucumbiu por fraqueza, daquele que explorou o pecado. Por exemplo, é muito mais grave explorar a prostituição do que cair nela, eventualmente, por fraqueza, embora ambas as quedas sejam graves.

“É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (§1857; RP,17).

“A matéria grave é precisada pelos dez mandamentos segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: ‘Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe’ (Mc 10,19)” (CIC §1858).

Portanto, a gravidade dos pecados pode ser maior ou menor conforme o dano provocado pelo mesmo. Também a qualidade da pessoa ofendida entra em consideração. Ofender ao pai é mais grave que ofender um estranho.

Santo Afonso de Ligório, doutor da Moral, diz que o “pecado mortal é um monstro tão horrível, que não pode entrar numa alma que por longo tempo o detestou, sem se fazer claramente conhecido”.

Dizia ainda o santo doutor que o pecado mortal é aquele que se comete de “olhos abertos”; isto é, sem dúvidas do mal que se está praticando.

O pecado venial acontece quando não se observa a lei moral em matéria leve, ou então quando se desobedece a lei moral em matéria grave, sem perfeito conhecimento ou consentimento (cf. CIC §1862). Não nos torna contrários a vontade de Deus e a sua amizade; não quebra a comunhão com Ele, e portanto, não priva da graça de Deus e do céu.

Contudo, não se deve descuidar dos pecados veniais, pois, eles enfraquecem a caridade, impede a alma de crescer na virtude, e, quando é aceito deliberadamente e fica sem arrependimento, leva a pessoa, pouco a pouco, ao pecado mortal.

Santo Agostinho lembra que “o acúmulo dos pequenos vícios traz consigo a desesperança da conversão”. “O homem não pode enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideres insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então a nossa esperança? Antes de tudo a confissão…” (Ep. Jo 1,6; CIC §1863).

Muitos perguntam o que é o pecado contra o Espírito Santo. A Igreja ensina que é o daquele que rejeita livremente acolher, pelo arrependimento, a misericórdia de Deus, “rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo”. É o endurecimento do coração, a tal ponto, que leva a pessoa a rejeitar até a penitência final. Se morrer neste triste estado, experimentará a perdição eterna (cf. CIC §1864).

O pecado gera na pessoa uma tendência ao próprio pecado. Podemos dizer que quanto mais se peca, mais se está predisposto ao pecado. A repetição torna-se vício. E assim, nasce na pessoa a inclinação à perversão, obscurece-se a consciência, e vai se perdendo o discernimento entre o bem e o mal. Não foi sem razão que o Papa Paulo VI disse certa vez que, o pior pecado deste mundo é achar que o pecado não existe. A prática do pecado, continuamente, faz com que a pessoa perca a noção da sua gravidade. No entanto, por pior que seja, o pecado não consegue, de todo, “destruir o senso moral até a raiz” (CIC §1864).

Diante de nossos pecados, não adianta se desesperar ou desanimar; a única atitude correta é enfrentá-los com boa disposição interior e com a graça de Deus. São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja, dizia que não adianta ficar “pisando a própria alma”, depois de ter caído no pecado.

Até mesmo os nossos pecados, aceitos com humildade, podem nos ajudar a crescer espiritualmente. Santo Afonso de Ligório dizia:

“Mesmo os pecados cometidos podem concorrer para a nossa santificação na medida que a sua lembrança nos faz mais humildes, mais agradecidos às graças que Deus nos deu, depois de tantas ofensas”.

Retirado do livro: “Os Pecados e as Virtudes Capitais”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

Prof. Felipe Aquino
Fonte: Site Cléofas