Vivemos uma Quaresma real

Por: Dom Moscone
Casa Alívio do Sofrimento, de San Pio di Pietrelcina

O presidente do Hospital de Padre Pio afirma que “este é um período de êxodo, de Quaresma. Não sabemos quanto vai durar, mas devemos manter certa esperança que chegaremos para a Páscoa. Talvez não será o 12 de abril, aquela data litúrgica do calendário, mas a Páscoa verdadeira da vida, que é a vitória da vida sobre a morte, que é a certeza da vitória e da salvação”. E Dom Moscone finaliza:

“Estamos vivendo neste ano uma Quaresma que mais que litúrgica é de realidade. Estamos nos preparando para uma Páscoa que mais que de ritos é de vida, e espero que todos os fiéis consigam vivê-la assim. Rezemos, vamos nos ajudar através da oração e da caridade que são as duas armas que Padre Pio considerava aquelas que tocavam a alma de Deus e, através de Deus, alcançam os corações de cada pessoa.”

Vírus mostra que o homem não tem tudo sob controle, diz cardeal Koch

Vatican News

“Estamos em boas mãos”. Foi com uma “injeção de ânimo” que o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch, iniciou sua entrevista ao Media Center da Conferência Episcopal  da Suíça, país onde nasceu.

Como todos os demais, também o purpurado tem limitações objetivas no exercício de seu trabalho, causadas pelas restrições impostas pela propagação da epidemia. “Uma Sexta-feira Santa prolongada – como ele descreve sua vida hoje em dia em Roma – uma situação é paradoxal. A essência do ecumenismo está no diálogo, mas o diálogo não pode ser feito sozinho”, observou.

As visitas do exterior foram canceladas, as reuniões de trabalho estão adiadas indefinidamente. “Mas por outro lado, as Igrejas estão demonstrando sua solidariedade precisamente nesta crise”, afirma o cardeal Koch, que recorda como em 70 anos de vida nunca tenha vivido uma experiência do gênero: “O vírus mostra que não temos tudo sob controle”, disse ele.

Segundo o purpurado, de fato, a atual crise afeta quer os comportamentos sociais como o coração da mensagem cristã.

“Acolhamos o convite para reconsiderar nossas prioridades na vida”, sublinha, recordando que Jesus nunca deixa de participar do sofrimento humano: “Esta é a mensagem mais poderosa que o cristianismo pode dar, sobretudo agora. Mas proclamar essa mensagem pela Palavra e o Sacramento é uma das dificuldades do momento”.

Sobre como transcorre seus dias com as limitações decorrentes da pandemia, o purpurado conta que vive um abrandamento forçado dessas semanas como uma oportunidade para meditar: “O tempo que é liberado é investido em oração”.

Por fim, sobre as perspectivas que o futuro nos reserva, o cardeal Koch diz estar confiante e tranquilo, porque “a morte tem apenas a penúltima palavra – Deus tem a última palavra e isso significa vida”.

Por: cardeal Koch
Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-04/cardeal-kurt-koch-virus-mostra-homem-nao-tem-tudo-controle.html

Liturgia Diária – Abril 2020

É um subsídio mensal que contempla toda a caminhada litúrgica de cada mês. Apresenta ao leitor algumas opções de orações eucarísticas, um breve comentário dos santos e das leituras de cada dia, uma variada opção de cantos, além de trazer, a cada domingo, uma opção de círculo bíblico.
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Fonte: https://www.paulus.com.br/portal/conteudo-gratuito

Dom Hélder Câmara

Dom Hélder Câmara, Visionário e Santo

Virá o que chamarão de “o tempo da bonança”. Talvez muitos de vocês meus irmãos, já se encontrem nele, iludidos achando que tudo caminha bem. Tudo muito maquiado. Mas a pior de todas as tempestades ainda está por vir. Esse mau tempo virá, sem piedade, onde pessoas, o pobre principalmente será tratado como lixo humano, será descartável.
O bezerro de ouro criará vida e o pobre será o pasto dele. Talvez eu não esteja presente em vosso meio neste terrível tempo. Mas entendam também que a venda que está nos olhos de muitos irmãos e irmãs cairá e então perceberão a importância de muita coisa que era essencial na sua vida, com o próximo, com a família e você também descartou.
Sim! Serão tempos difíceis! Mas acreditem, o autêntico Amor de Deus mandará embora a tempestade.
Pois muitos de vocês perceberão a importância dele na sua vida, e no próximo. Mas muitos também não enxergarão, porque estarão de joelhos diante do bezerro de ouro.
É o Deus da vida, do amor contra o deus da morte, do egoísmo e do lucro.

O Senhor esteja convosco!!

(Homilia de Dom Hélder Câmara – 19/05/1996)
Via Paulo Mesters

Reflexão para o V Domingo da Quaresma

Ele disse: “ Quem crê em mim, ainda que morra viverá, e quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre.”

“Senhor como fonte da Vida”

O tema da liturgia deste domingo é o Senhor como fonte da Vida, como a própria Vida.

Ouça a meditação

Este relato é uma catequese sobre a ressurreição. Faz parte do tradicionalmente chamado Livro dos Sinais, do qual é o sétimo e o último sinal realizado por Jesus, segundo o Evangelho de João.

A primeira leitura fala da reverificação de ossos ressequidos e o evangelho nos apresenta a belíssima cena conhecida como ressurreição de Lázaro. O Senhor mostra seu poder não para intimidar o ser humano, mas para salvá-lo, para trazê-lo à vida e devolver a alegria à sua família.

Se prestarmos bastante atenção nos gestos de Jesus, ele não restringe sua ação aos momentos limites como a morte, mas ele age trazendo a saúde, recuperando pessoas envolvidas com situações de morte, enfim perdoando o pecados. Ele, a Vida, recupera o que estava perdido.

Por isso, supliquemos ao Senhor da Vida que traga harmonia àquele casal que está com dificuldades no relacionamento conjugal, àquele jovem que perde sua vida nas drogas, àquele pai de família que gasta o dinheiro do sustento familiar nos jogos de azar, àquela moça que destrói sua vida através da prostituição.

Apresentemos ao Senhor aquelas mães que pensam em abortar a vida que Deus colaborou para que gerassem, aqueles médicos que desejam aliviar o sofrimento de seus pacientes agindo diretamente contra o dom divino da vida, e tantos outros casos que conhecemos. Só Deus poderá iluminar essas pessoas, mostrando-lhes o verdadeiro sentido da vida e dando-lhes coragem para enfrentar com fé, esperança e caridade essas situações dificílimas.

O Senhor quer nos libertar de todas essas mortes e também daquela que leva nosso corpo para o cemitério, quer sinalizar que pode muito mais, que pode nos libertar da morte definitiva. Ele disse: “ Quem crê em mim, ainda que morra viverá, e quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre.”

A segunda leitura da liturgia de hoje nos apresenta Paulo dizendo que não morremos porque, no batismo, assumimos essa vida dada a nós, por Jesus, em sua cruz e ressurreição. A partir do batismo, da profissão de fé em Jesus, viveremos, mesmo que, aparentemente, estejamos mortos. Aí não será uma reanimação do corpo ou revivificação como em Lázaro, que voltou à vida e depois morreu de novo, mas ressurreição, ou seja, Jesus nos dá a vida sem fim e plena, sem doenças, sem drogas, sem desavenças.

Ele nos dará aquilo que desejamos: vida saudável, ao lado das pessoas queridas que amamos, ao lado do Pai, de Maria, de todos os santos, e para sempre. Essa vida já pode começar agora, se colocarmos em prática a renúncia à cultura de morte, renúncia feita no batismo e, simultaneamente, colocarmos também em prática a profissão de fé na cultura de vida trazida por Jesus.

Que a graça de Deus nos conduza à opção pela Vida, em todos os momentos de nossa caminhada. Que nossa religiosidade nos leve a colocar em prática a ordem de Jesus: “Desatai-o e deixai-o ir”. Desatemos os laços de morte que amarram a nós e a nossos irmãos, e caminhemos juntos para a vida, como filhos do mesmo Pai, como destinatários que somos todos nós da salvação trazida por Cristo Jesus, nosso Redentor!

Padre Cesar Augusto dos Santos, SJ
Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-03/reflexao-para-v-domingo-da-quaresma.html

Papa: Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida

“Somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte: a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte.”

Vatican News

O convite para removermos de nossos corações as pedras que falam de morte, como a hipocrisia como vivemos a fé, a crítica destrutiva, a ofensa, a calúnia, a marginalização do pobre, nos foi dirigido pelo Papa em sua alocução, antes de rezar o Angelus neste V Domingo da Quaresma, na Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Ao refletir sobre o Evangelho de João que narra a ressurreição de Lázaro, Francisco recordou que “a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”, e que Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida, “bela, boa, alegre”.

Jesus é o Senhor da vida

Ao iniciar sua reflexão, o Santo Padre lê alguns dos versículos do capítulo 11 de João, explicando que ao responder a Marta que lhe havia dito que seu irmão não teria morrido caso o Mestre estivesse ali, “teu irmão ressuscitará”, Jesus se apresenta “como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de restituir a vida também aos mortos”.

Ao ver em prantos Maria e as pessoas que se aproximavam dele, Jesus, muito comovido, chorou, recordou Francisco, e “comovido, vai ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o sepulcro e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” E Lázaro sai com “as mãos e os pés atados com lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano”:

Aqui vemos concretamente que Deus é vida e doa vida, mas assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do amigo Lázaro, mas quis assumir para si a nossa dor pela morte das pessoas queridas, e sobretudo quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte.

O encontro entre a fé do homem e a onipotência de Deus

Nesta passagem do Evangelho – observou o Papa – vemos que a fé do homem e a onipotência de Deus, do amor de Deus, buscam-se e por fim se encontram, “é como um duplo caminho: a fé do homem e a onipotência do amor de Deus que se procuram e no final se encontram. Vemos isso – enfatizou – no grito de Marta e Maria e de todos nós com eles: “Se tivesses estado aqui!…”:

E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte”.

“A resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”

Remover as pedras que representam morte

E Jesus nos repete também hoje para removermos a pedra, pois “Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”,  e “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo”, “e Jesus Cristo veio nos libertar de seus laços”. Neste sentido, “somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte”:

Por exemplo, a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte. O Senhor nos pede para removermos estas pedras do coração, e a vida então voltará a florescer ao nosso redor. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele entra em contato com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, a vida não só não está presente, mas se recai na morte. 

“Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”

Regenerados por Cristo, novas criaturas

O Pontífice recordou que “a ressurreição de Lázaro também é sinal da regeneração que se realiza no crente mediante o Batismo, com a plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida”.

Que a Virgem Maria – disse o Papa ao concluir – nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida.

Ao concluir o Angelus, o Papa Francisco dirigiu-se ao apartamento Pontifício, de cuja janela abençoou a Urbe e os fiéis presentes espiritualmente na Praça São Pedro.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-03/papa-francisco-angelus-29-marco-2020-lazaro.html