Uma cultura muito estreita com o profano

     Do italiano “Carnevale”, termo formado a partir da expressão do latim medieval carnem vale, que significa “adeus à carne”, o Carnaval é uma festa popular bem antiga, cuja origem pode ser encontrada nas festividades para comemorar a colheita da uva, a vindima, em honra do deus do vinho (→ Dionísio), a mesma divindade sendo cultuada em Roma com o nome de Baco: as “bacantes” eram as mulheres que participavam dos ritos orgiásticos, chamados de “bacanais”. “CARNAVAL (Baco, dionisíaco, carnavalesco) → Dionísio Deus grego / demônio, da obra de Friedrich-Wilhelm Nietzsche (1844–1900, poeta e filósofo alemão que se inspirou no báquio romano” Pesquisar: www.wikipedia.com.br 

     Na Idade Média, com o nome de Carnaval e anualmente, os cristãos festejavam a véspera da quarta feira de cinzas, quando começava a Quaresma, os 40 dias de penitência antes da Páscoa, durante os quais era proibido comer carne. Na Terça Feira Gorda e no fim de semana que a precedia, os devotos de Cristo se esbaldavam em comer “polpette” (almôndegas), tomar vinho, dançar desenfreadamente, usando máscaras, para que as pessoas não fossem identificadas. O Carnaval reveste-se de características próprias, conforme o tempo e o lugar. Na Europa, o melhor Carnaval é o de Veneza, famoso pelo desfile e baile das Máscaras; no Brasil, sem dúvida, o Rio de Janeiro apresenta a melhor festa carnavalesca, apreciada no mundo inteiro, pelo desfile dos carros alegóricos em lugar fixo e apropriado, o sambódromo.

     O Carnaval é uma forma de espetáculo sincrético, de caráter ritual, onde não há separação entre atores e espectadores, sendo vivido por todos. Durante a época carnavalesca há uma suspensão das leis sociais, das interdições morais, das regras normais de vida. Anula-se a diferença de classes e de sexos, a hierarquia, a etiqueta, e se estabelece uma nova forma de relações inter-humanas, fundada no contato livre e familiar entre todos, sem medo de sanções. A língua italiana tem uma expressão que define bem essa liberdade: nel Carnevale, tutto vale (“no Carnaval, vale tudo”), cujo equivalente em português pode ser encontrado nos versos de uma marchinha carnavalesca: “Não me leve a mal, hoje é Carnaval”. Entre os atos carnavalescos que legitimam o mundo às avessas o mais importante é o rito da “entronação” bufonesca do Rei do Carnaval. Nas Saturnálias romanas elevava-se ao trono um escravo, que era servido e venerado por seus patrões. O ato ambivalente significava a relatividade de toda estrutura social, a elevação e a queda do ídolo., a profanação do sagrado, a paródia dos valores sociais. Na percepção carnavalesca do mundo são exaltadas as formas oximóricas, as mésalliances: a conjunção do masculino e do feminino, do sagrado e do profano, do alto e do baixo, do belo e do feio, do sublime e do vulgar. A identidade dos contrários e a não-identificação da pessoa é facilitada pelo uso da máscara ou da pintura do corpo com cores berrantes. Predomina o vermelho, a mesma cor do fogo e do sangue, símbolo universal do princípio da vida e da força. Junto com a cor vermelha, nos folguedos do Carnaval é prestigiada a gordura, símbolo da riqueza e da abundância. O Rei Momo é geralmente configurado como uma pessoa gorda, de faces rosadas, com um largo sorriso de prazer satisfeito. Enfim, é o id freudiano que, nos dias de Carnaval, acaba se sobrepondo ao superego que controla a vida cotidiana, liberando o uso do álcool e de roupas extravagantes, a nudez e a libido.

     Ainda teremos dúvida sobre o que esta “festa” representa? Como entender isso tudo com a luz da Palavra de Deus? Ou devemos apenas aceitar toda essa ideia vendo esta “festa” como qualquer outra cultura? Então , vejamos o que mais ocorre e nesta festa originada de um “deus” grego romano denominado Dionísio ou Baco (Deus do vinho); assim diz a Palavra de Deus na carta de São Paulo aos hebreus: “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúme , ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! (Gl 5, 19-21).

     Aos Efésios: “Não vos comprometais com eles. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes (Ef 5, 7-8).

     Como entender alguém que se proclama cristão, ouvinte e praticante da Palavra, alegar que poderemos brincar na festa de carnaval e dar testemunho de cristãos? Sinceramente não entendo esta forma de evangelizar. Ser luz no meio das trevas para mim não é se igualar às trevas, e sim ser luz para as trevas; para dissipar as trevas; e como poderei ser luz agindo como filho das trevas? Disse Jesus: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova?” (Lc 6, 39). 

     Pensemos um pouco mais sobre a questão; sobre até que ponto precisamos nos expor tanto para buscar almas para Jesus, se elas estão tão próximas de nós. Acho que a questão é trabalhar para não deixar que os filhos da luz conheçam tão espessas trevas, que em vez de conduzir à vida, conduz à morte! Paz e fogo, e vamos para os retiros!

     Antonio Alexandre
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