Parei um pouquinho os meus estudos para refletir um pouco sobre alguns sentimentos. Mais cedo uma pessoa que nem conheço me procurou para pedir oração e desabafar – uma garota de 16 anos – ela me contava sobre suas angustias de viver as esperas de Deus e sobre sua crise vocacional. Depois disso um ministro de música que conheci nas missões há pouco tempo veio me dar a boa noticia de que mais uma vez ministraríamos juntos em um encontro de jovens e começamos a conversar empolgadamente, falando de como seria bom haver altos shandará (gíria pessoal para momento de oração e partilha fervoroso), falávamos sobre ousadia e sobre acreditar no Deus de ousadia. Mas, minha cabecinha humana me transportou para momentos em que eu não fui tão ousada assim, para os momentos que eu errei e erro, para os momentos que tenho medo, me fazendo pensar se o que eu estou transmitindo para as outras pessoas é aquilo que eu sou 100% do tempo. PORÉEM, ao mesmo tempo me permiti pensar: O que eu sou em Deus? Ousada, acredito em sonhos, tenho os momentos de ser aquela dos incentivões, bora a gente consegue, vamos acreditar no Espirito Santo. E no escondidinho do meu quarto choro e tenho medo. Sou  tudo isso. O que essa contradição me revela? Não duas faces, não uma falsidade. Mas, um ser humano que está como qualquer outro vivendo, aprendendo e se deixando moldar por Deus, aos poucos. Um ser humano que ainda vai errar algumas muitas vezes, que vai tropeçar outras tantas.

Então, penso também no meu olhar para as outras pessoas, para as pessoas que são para mim inspiração de fé e imagino que essas pessoas também têm os seus momentos de “contradições” e que isso é o maior desafio que elas travam em relação si mesmas, que elas são tão humanas quanto eu sou, que elas não estão sendo menos de Deus por causa disso e que apesar de tudo isso, o que brilha mais é aquilo que elas são em Deus, e que essa luta é a maior prova de amor que elas dão a Ele todos os dias. É voltar a dizer sim sempre que errou, sempre que caiu. Existe um pensamento lindo que vi em um dos primeiros livros que li do Professor Felipe Aquino dizendo que Deus não se preocupa tanto com a nossa vitória (porque ele já sabe que vai acontecer, ele é poderoso para nos fazer vencer), mas, que para Ele importa mais que estejamos tentando. E esse é um dos maiores presentes que podemos dar a YHWH como jovens: O nosso continuar tentando, sem desistir e, nessa jornada, encontrá-lo na nossa humanidade. Descobrindo um Deus que conhece profundamente a nossa humanidade.

Nós como jovens precisamos nos acolher e nos tranquilizar em Deus. Vivemos uma cultura imediatista que também lança raízes profundas desse modo de vida no jeito como olhamos a nós mesmos. Queremos ser perfeitos agora, queremos deixar nossos erros para trás de uma hora para outra, como se magicamente tudo fosse se distanciar da gente sem muito esforço. A gente não tem um olhar lançado à frente e isso nos impede de enxergar o processo acontecendo. Não enxergando o processo, nosso coração não fica tranquilo porque a gente acha que nada tá acontecendo, que a gente continua errando, que não tem jeito para gente, que é melhor desistir, que a gente não presta para servir porque a gente tem nossos lados podres que continuam insistindo em aparecer. Mas, pera ai, larga dessas ideias e acompanha o raciocínio:

Como Deus se revela na nossa vida?  Quando nos decidimos por viver em Deus isso não quer dizer que nós tenhamos de largar toda e qualquer coisa. Embora ainda precisaremos de um período mais afastados, em retiro pessoal, distantes de algumas coisas para melhor processarmos tudo aquilo que Deus está nos chamando e que o barulho do mundo nos impede de ouvir: Essa voz que nos chama com amor. Esse período também é fecundo para que possamos repensar e fazer uma análise de como está a nossa vida, da importância exagerada que damos a determinadas coisas e a outras não. E, assim, à luz da revelação de Deus a gente vai vendo o que está fora do lugar e precisa ser colocado no lugar. Revemos nossas prioridades, voltamos nosso olhar para aquilo que é mais importante naquele momento, pois, é aí onde geralmente Jesus inicia o nosso processo de cura junto conosco, seja na nossa família, na nossa afetividade, nas nossas amizades, em algum aspecto do nosso caráter e da nossa subjetividade. Isso não quer dizer que vamos ficar distantes para sempre, mas, nesse tempo vamos encontrar o equilíbrio interior necessário, um novo modo de olhar o mundo, para que nossas relações com as pessoas e coisas possam sempre glorificar a Deus ou para que possamos levar nem que seja um pouquinho do nosso Deus para as pessoas e realidades que vivemos. Então, se acalma hoje, tudo bem? E apenas escuta a voz de Deus e o que Ele te fala sobre o teu ser tão humano. Por isso, é importante qe você não recrimine sua humanidade, mas que encontre nela Jesus.

Que o Amado e a Virgem Santíssima te cuidem. Beijinhos. :*

Bruna Santana
Missionária Comunidade Resgate

 

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